A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de terminar 2023 com um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, chegando a 11,75%, pode trazer uma série de implicações na economia do país e diretamente no bolso dos brasileiros. O corte, o quarto consecutivo neste ano, marca uma queda de dois pontos percentuais desde agosto, quando a Selic estava em 13,75%.
Essa alteração na taxa básica de juros da economia tem um impacto significativo, principalmente para aqueles que precisam recorrer a créditos e investimentos. De um lado, quem necessita tomar crédito tem um alívio, pois os juros dos empréstimos tendem a seguir a mesma tendência de queda. Por outro lado, para investidores, o atrativo para aportar em instrumentos de renda fixa se torna menor.
Quais as implicações da queda da Selic?

A queda para 11,75% vai afetar a rentabilidade de algumas aplicações financeiras. Tomemos como exemplo a poupança. Em cenário de Selic a 12,25%, com um investimento inicial de R$ 10 mil, ao final de um ano, o valor passava a ser de R$ 10.719. Já com a Selic a 11,75%, o valor final seria de R$ 10.639, mostra cálculos de Camilla Dolle, head de renda fixa da corretora XP.
E a selic para os outros tipos de investimento?
Observemos o Tesouro Direto. Considerando um investimento inicial de R$ 10 mil no Tesouro Selic 2029, o retorno após um ano, descontando taxas e impostos, seria de R$ 10.965, calcula Camilla. Esse montante chegaria a R$ 13.291 em três anos. Sem a nova queda da Selic, esse valor chegaria a R$ 13.395.
Outro exemplo são as LCIs ou LCAs que paguem 90% do CDI. Com a nova Selic, um investimento de R$ 10 mil alcançaria R$ 13.422 após três anos.
O que levar em conta ao investir?
Os investidores precisam estar atentos a alguns detalhes antes de realizar seus aportes. CDBs, LCIs e LCAs com rentabilidades mais atrativas geralmente não possuem liquidez diária, ou seja, não permitem resgate a qualquer momento, mas apenas no vencimento do papel. Além disso, são emitidos por instituições com risco de crédito mais elevado. Por isso, é importante considerar a nota de crédito da instituição emissora antes de investir. Tanto CDBs, LCIs, LCAs, quanto a poupança, contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Já os títulos públicos, emitidos pelo governo federal, mesmo sem a proteção do FGC, têm risco considerado baixo.
Portanto, diante da queda da Selic, é relevante que se faça uma análise cuidadosa sobre os melhores investimentos a serem considerados, levando em conta o perfil e os objetivos de cada investidor.
O que é o Copom?
O Copom, ou Comitê de Política Monetária, é um órgão vinculado ao Banco Central criado em junho de 1996. Sua função primordial é estabelecer diretrizes cruciais para a economia brasileira, impactando diretamente o cotidiano e os investimentos dos cidadãos.
Esse comitê desempenha um papel essencial na definição da política monetária e da taxa básica de juros, a Selic. É composto pelo presidente e diretores do Banco Central do Brasil, juntamente com representantes de áreas ligadas à nossa economia, como o Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban) e:
- Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab)
- Departamento Econômico (Depec)
- Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep)
- Departamento das Reservas Internacionais (Depin) Departamento de Assuntos Internacionais (Derin).
Modelado em instituições similares nos Estados Unidos, como o Federal Open Market Committee (FOMC), e no contexto do Banco Central alemão, o Comitê Central Bank Council, o Copom desempenha um papel crucial na gestão econômica nacional.

