O Money Report TV, exibido pela BM&C News, reuniu três lideranças de setores distintos para discutir como tecnologia, inclusão e novos modelos de negócio estão transformando educação, wellness e serviços financeiros. Participaram do programa Patrícia Gomes Cardim, quarta geração à frente do Centro Universitário Belas Artes; Anderson Franco, fundador da Alpfit; e Fernando Burgel, fundador do grupo Somapay.
A conversa mostrou que a inteligência artificial nos negócios deixou de ser uma ferramenta restrita à eficiência operacional. Nas instituições de ensino, nas redes de academias e nas empresas financeiras, a tecnologia passou a influenciar relacionamento com clientes, formação profissional, oferta de serviços e criação de novas fontes de valor.
“A inteligência artificial é algo que está muito em evidência, né? Eu acho que já deixou de ser um hype para se tornar realmente uma realidade na vida de todos”, afirmou Fernando Burgel.
Belas Artes cresce no presencial com foco em excelência
Patrícia Gomes Cardim explicou que o Centro Universitário Belas Artes atravessa um ciclo de transformação sem abandonar sua proposta acadêmica. Segundo ela, enquanto o ensino superior presencial encolhe no país, a instituição tem registrado crescimento nesse formato, apoiada em currículo diferenciado e em áreas ligadas à economia criativa.
A executiva também destacou que a Belas Artes mantém atenção constante ao comportamento dos estudantes e às demandas do mercado. Essa leitura ajudou a instituição a desenvolver formatos de ensino conectados à prática profissional, como o campus no Shopping Cidade Jardim, que funciona como laboratório para cursos ligados a moda, gastronomia, design e visual merchandising.
“O mercado de ensino superior, ele tem decrescido no presencial 5% ao ano, mas a Belas Artes vem crescendo 15% ao ano no presencial”, destacou Patrícia Gomes Cardim.
Economia criativa ganha espaço na formação profissional
No programa, Patrícia afirmou que a Belas Artes se posiciona como um hub de economia criativa, reunindo cursos e iniciativas voltados a setores que ainda carecem de métricas mais consolidadas no Brasil. A instituição realiza anualmente um congresso dedicado ao tema e busca acompanhar dados de mercado para orientar a abertura de novas graduações.
Um dos exemplos citados foi o avanço da área de cinema em São Paulo, que passou a influenciar diretamente a procura por formação acadêmica. Para a executiva, esse movimento mostra como a demanda do mercado pode impulsionar novos cursos e ampliar a formação de profissionais para setores em expansão.
“O mercado cinematográfico de São Paulo tá muito pujante e isso reflete imediatamente numa graduação que hoje é a segunda maior graduação da Belas é de cinema”, explicou Patrícia Gomes Cardim.
Tecnologia amplia repertório, mas não substitui o professor
A inteligência artificial também foi debatida a partir de seus efeitos sobre a educação e a economia criativa. Patrícia afirmou que a Belas Artes incorporou tecnologias emergentes, inclusive plataformas e ferramentas específicas para áreas como moda, mas manteve a presença dos professores como parte central da formação.
Na avaliação da executiva, a IA pode acelerar processos, ampliar repertório e melhorar a qualidade de entrega dos alunos. Ainda assim, ela defendeu que a tecnologia não substitui a relação humana, especialmente em áreas que dependem de sensibilidade, acompanhamento e desenvolvimento individual.
“A IA ainda não tá preparada para isso, para lidar com o sensível da relação humana”, ponderou Patrícia Gomes Cardim.
Alpfit aposta em ecossistema de wellness e benefícios
Anderson Franco apresentou a Alpfit como uma rede de academias baseada em um conceito mais amplo de wellness. A proposta combina academia física, serviços digitais, telemedicina, apoio nutricional, terapia por inteligência artificial, educação, benefícios, suplementação e desconto em energia.
O modelo procura reduzir barreiras de acesso a serviços que normalmente teriam custo elevado para o consumidor. A estratégia também inclui equipamentos de alta tecnologia, espaços de convivência, sauna, espaço kids monitorado e iniciativas voltadas à saúde física, mental e financeira dos alunos.
“A Fit nasceu de um sonho de fazer diferente, cuidar das pessoas com olhar 360”, relatou Anderson Franco.
Wellness passa a integrar saúde, educação e comunidade
Anderson afirmou que a Alpfit trabalha com a lógica de academia clube, em que a unidade física deixa de ser apenas um espaço de treino e passa a funcionar como ambiente de convivência. Na avaliação do empresário, o autocuidado deve estar associado à integração familiar, à comunidade e à criação de vínculos entre diferentes gerações.
O fundador também citou ações sociais realizadas pela rede, como campanhas de arrecadação de agasalhos, brinquedos e absorventes. Para ele, a entrega de valor no wellness depende de governança, impacto social e atenção às necessidades concretas dos clientes.
“Nós queremos cuidar das pessoas e que elas cheguem ao topo em qualquer área da vida, não é? Tendo a saúde, a educação, a saúde física e mental como pilar”, ressaltou Anderson Franco.
Somapay nasceu de uma dor operacional das empresas
Fernando Burgel explicou que a Somapay surgiu em 2014, em um contexto de abertura do mercado financeiro e criação de novas instituições de pagamento. A empresa nasceu a partir da identificação de uma dificuldade recorrente em companhias que precisavam pagar trabalhadores de baixa renda, especialmente na construção civil.
Segundo o executivo, muitas empresas ainda realizavam pagamentos em dinheiro nos canteiros de obra, o que gerava risco de segurança, perda de produtividade e complexidade operacional. A solução inicial foi um cartão para depósito dos valores, que depois evoluiu para conta digital, produtos de crédito, consignado e benefícios.
“Toda startup nasce ali querendo com proposta de resolver um problema, né”, observou Fernando Burgel.
Crédito e tecnologia mudam a relação com o trabalhador
A Somapay ampliou sua atuação para atender empresas que precisam pagar funcionários CLT, prestadores PJ e trabalhadores de menor renda. Fernando afirmou que a instituição busca melhorar a saúde financeira desse público por meio de antecipação salarial, crédito consignado, benefícios e soluções conectadas ao mundo do RH.
O executivo também comentou as mudanças no consignado privado, especialmente após a criação do Crédito do Trabalhador. Segundo ele, o novo modelo tende a aumentar a segurança das instituições financeiras, reduzir a dependência de convênios individuais com empresas e, com o amadurecimento do produto, baratear o crédito ao trabalhador.
“Eu acredito que é um produto sim que vai baratear o crédito pro trabalhador”, avaliou Fernando Burgel.
IA exige eficiência sem perda de formação humana
O debate final apontou que a inteligência artificial tende a se tornar uma competência básica para empresas e profissionais. Fernando comparou o avanço da tecnologia à transição da máquina de escrever para o computador, enquanto alertou para o risco de dependência excessiva das ferramentas sem domínio dos fundamentos.
Patrícia reforçou essa preocupação ao explicar que cursos como artes visuais e arquitetura ainda preservam disciplinas ligadas à manualidade, ao desenho, ao volume e à prática técnica. Para ela, o processo de aprendizado mais lento ajuda a desenvolver repertório, paciência, domínio técnico e capacidade criativa, elementos que seguem relevantes mesmo em um ambiente cada vez mais tecnológico.
“A gente não vai abrir mão nunca da beleza do manual”, concluiu Patrícia Gomes Cardim.

