A expansão dos data centers no Brasil deve ganhar tração mesmo após o fim do Redata, pacote de incentivos fiscais do governo federal que perdeu validade no Congresso Nacional. Em construção ou planejamento, está previsto um salto de cinco vezes na capacidade dessas estruturas no país, segundo dados do Ministério das Comunicações compilados pela Associação Brasileira de Data Centers.
O movimento contraria a percepção de que a ausência de benefícios fiscais inviabilizaria novos projetos. Na avaliação do diretor comercial da Engemon, Jorge Berger, o crescimento do setor é estrutural e impulsionado por fatores como digitalização, computação em nuvem e avanço da inteligência artificial.
“A nossa leitura é que esse crescimento vai acontecer de qualquer forma. Não é um movimento dependente de incentivo, ele é estrutural. Vem da digitalização, da nuvem… e agora, muito forte, da inteligência artificial”, afirma.
Sem o suporte fiscal, no entanto, o ambiente se torna mais exigente. Projetos passam a demandar maior rigor técnico e financeiro desde a concepção, reduzindo o espaço para erros ao longo da execução.
“O que muda sem o incentivo é o nível de exigência. O mercado fica mais duro. Não dá mais para trabalhar com projeto no papel. Ele precisa nascer viável de verdade”, diz Berger.
Data Centers em debate: estruturação ganha protagonismo
Diante desse cenário, a Engemon tem ampliado sua atuação nas fases iniciais dos projetos de data centers, buscando antecipar riscos e garantir viabilidade. A estratégia inclui análise de fatores críticos como disponibilidade de energia, conexão elétrica, prazos e estrutura de expansão.
“Participar mais cedo. Não só na obra, mas na estruturação do projeto. Entender onde tem energia de fato, como essa energia vai ser conectada, qual é o prazo real… e onde estão os riscos”, explica.
Eficiência passa a definir viabilidade
Com o fim dos incentivos, a eficiência se torna o principal fator de sustentação dos projetos. Segundo Berger, decisões equivocadas na fase inicial tendem a comprometer o retorno do investimento.
“Sem incentivo, não tem muito espaço para erro. Qualquer decisão mal tomada lá atrás acaba aparecendo lá na frente”, afirma.
Nesse contexto, a integração entre engenharia e financeiro ganha relevância. A avaliação dos projetos passa a considerar não apenas o custo de construção, mas também variáveis como localização, disponibilidade energética, prazo e capacidade de expansão.
“Hoje, qualquer decisão técnica impacta diretamente o retorno do investimento”, destaca.
Além disso, a adoção de soluções padronizadas e industrializadas tem sido utilizada para reduzir incertezas, minimizar desperdícios e ampliar a previsibilidade.
Mercado de data centers mais seletivo e acelerado
A dinâmica do setor também mudou. Segundo a Engemon, o mercado de data centers está mais rápido, mas também mais seletivo. Projetos bem estruturados, especialmente aqueles com questões energéticas já resolvidas, tendem a avançar com maior velocidade.
Já iniciativas com indefinições nessa etapa enfrentam atrasos ou até paralisações.
“O investidor quer clareza, quer previsibilidade, quer saber exatamente onde está entrando”, afirma Berger.
Essa mudança tem aproximado a empresa das decisões estratégicas dos clientes, ampliando sua participação na validação dos projetos antes mesmo do início das obras.
Pressão por precisão em projetos de alta densidade
No segmento de data centers, especialmente em projetos de alta densidade, erros de planejamento podem gerar impactos relevantes ao longo da operação. Por isso, a execução eficiente começa na estruturação adequada.
“Uma decisão errada no começo… lá na frente vira um problema grande”, afirma Berger.
A avaliação do setor indica que o crescimento deve continuar nos próximos anos, sustentado pela demanda crescente por infraestrutura digital. Sem incentivos fiscais, o avanço tende a ser acompanhado por maior disciplina na seleção e execução dos projetos.














