O Irã anunciou nesta sexta-feira (17) a reabertura total do Estreito de Ormuz, principal rota de transporte de petróleo do Oriente Médio. A liberação da passagem para embarcações ocorre durante o período de cessar-fogo em vigor na região e deverá permanecer válida até a próxima quarta-feira (22).
O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi. Segundo ele, a circulação de navios comerciais está autorizada durante o período restante da trégua.
“De acordo com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã”, afirmou Araghchi em comunicado.
A decisão representa o primeiro sinal concreto de flexibilização do Irã em meio às negociações diplomáticas que buscam reduzir a escalada do conflito no Oriente Médio.
Estreito de Ormuz é rota estratégica para o petróleo global
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao restante dos oceanos e é utilizada por grandes exportadores de petróleo da região.
Pelo estreito passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos globalmente, segundo estimativas do mercado de energia. Por isso, qualquer interrupção na circulação de navios costuma gerar impacto imediato nos preços internacionais do petróleo.
Desde o início da atual escalada de tensão no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, a passagem estava fechada para embarcações comerciais, elevando o risco de interrupção na oferta global de energia.
Reabertura do Estreito de Ormuz era exigência dos EUA
A reabertura do Estreito de Ormuz era uma das principais exigências apresentadas pelos Estados Unidos nas negociações diplomáticas com o Irã. As conversas entre os dois países ocorreram no último fim de semana e tinham como objetivo reduzir o risco de escalada militar na região.
Entre as demandas iranianas estava a inclusão do território libanês no acordo de cessar-fogo, após ataques israelenses registrados nas últimas semanas. O anúncio da liberação da rota marítima indica que parte das condições negociadas entre as potências envolvidas no conflito começou a avançar.
Petróleo cai após reabertura do Estreito de Ormuz
A reação do mercado foi imediata. A notícia da reabertura do Estreito de Ormuz provocou uma forte queda nos preços do petróleo na manhã desta sexta-feira.
Por volta das 10h, os contratos internacionais registravam:
- Brent: queda de 9%, cotado a US$ 90,55;
- WTI: recuo de 9%, negociado a US$ 86.
O movimento reflete a percepção dos investidores de que o risco de interrupção na oferta global de petróleo diminuiu com a reabertura da principal rota de exportação da região.
A tensão envolvendo o estreito vinha sustentando uma alta significativa do petróleo nas últimas semanas, diante do temor de bloqueio prolongado da passagem marítima.
O que significa para o mercado
A reabertura do Estreito de Ormuz reduz temporariamente as preocupações com gargalos logísticos no comércio global de petróleo. No entanto, analistas avaliam que o cenário permanece sensível a novos desdobramentos geopolíticos.
Como a liberação da passagem está condicionada ao período do cessar-fogo, qualquer retomada das hostilidades na região pode voltar a pressionar os preços do petróleo e aumentar a volatilidade no mercado de energia.
Por isso, a evolução das negociações diplomáticas no Oriente Médio seguirá no radar de investidores e participantes do mercado internacional nas próximas semanas.











