O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (30), mostra que o mercado financeiro elevou novamente as expectativas para a inflação no Brasil em 2026. A projeção mediana para o IPCA passou para 4,31%, indicando uma revisão para cima nas estimativas dos economistas consultados pela autoridade monetária.
Para os anos seguintes, o mercado ainda projeta uma trajetória de desaceleração gradual da inflação. As estimativas também tiveram alta em 2027 e 2028, sendo 3,84% e 3,57%, respectivamente e em 2029 permanecendo em 3,50%.
Crescimento do PIB segue moderado nas projeções do Boletim Focus
As estimativas do Boletim Focus também apontam crescimento moderado da economia brasileira nos próximos anos.
A projeção para o PIB em 2026 está em 1,85%, enquanto para 2027 a expectativa é de expansão de 1,80%. Para 2028 e 2029, o mercado projeta crescimento de 2,00% ao ano.
O cenário reflete uma economia ainda impactada por condições financeiras restritivas e pela dinâmica fiscal doméstica.
Câmbio e juros permanecem elevados nas projeções
No câmbio, o Boletim Focus indica expectativa de R$ 5,40 por dólar em 2026. Para os anos seguintes, o mercado projeta estabilidade em patamar mais elevado, com R$ 5,45 em 2027 e R$ 5,50 em 2028 e 2029.
Já para a taxa básica de juros, a estimativa aponta Selic em 12,50% em 2026, mantendo o patamar elevado da política monetária.
As projeções indicam queda gradual nos anos seguintes:
- 10,50% em 2027;
- 10,00% em 2028;
- 9,50% em 2029.
Dívida pública e resultado fiscal seguem pressionados
O Boletim Focus também mostra avanço esperado da dívida pública ao longo dos próximos anos.
A dívida líquida do setor público deve atingir 69,9% do PIB em 2026, avançando para 73,46% em 2027, 76,20% em 2028 e 80,80% em 2029.
Já o resultado primário segue negativo nas projeções do mercado, com déficit de 0,50% do PIB em 2026, enquanto o resultado nominal, que inclui o pagamento de juros da dívida, é estimado em -8,50% do PIB no mesmo período.
Avaliação da especialista
A economista Fernanda Mansano, destaca que houve aumento das expectativas de inflação tanto para 2026, quanto também para 2027.
“Esse aumento é influenciado principalmente por causa dos conflitos do Irã, então o aumento do preço do barril do petróleo, isso influencia, dado que hoje transportes influenciam 20% da inflação brasileira, então teve esse aumento“, destaca.
E o segundo ponto que a especialista destacou foi o aumento do PIB para 2026, isso é explicado especialmente pelas medidas do governo para aumento de consumo.
“Então o mercado tem colocado um aumento da expectativa do PIB advindo principalmente das políticas fiscais um pouco mais expansionistas para o aumento da demanda agressiva“, conclui.













