A alta do diesel, impulsionada pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela valorização do petróleo no mercado internacional, tem gerado pressão adicional sobre os custos do agronegócio brasileiro. Segundo Felipe Marques, CFO da Boa Safra, empresa líder no mercado de sementes de soja no país, o impacto é direto sobre a cadeia produtiva e ocorre em um momento sensível para o setor. “É um impacto direto em toda a cadeia do agronegócio. No nosso caso, a gente não tem como fugir dela. A semente é um ser vivo, então a gente tem um momento certo da colheita, a gente não consegue postergar”, disse o executivo em entrevista à BM&C News,
A Boa Safra atua na produção de sementes de soja e vem ampliando sua presença também em culturas como milho, trigo, sorgo e feijão. Como o ciclo agrícola possui períodos definidos de plantio e colheita, mudanças nos custos logísticos tendem a afetar imediatamente a estrutura de despesas das empresas do setor.
O aumento dos custos ocorre em um cenário em que o agronegócio já vinha enfrentando compressão de margens ao longo de 2025, com preços de commodities agrícolas em níveis mais baixos. “Num cenário ainda de preços de commodities mais baixos, você repassar custo na cadeia é algo que pressiona mais”, afirmou Marques.
Ele acrescenta que a expectativa do setor é de algum reequilíbrio ao longo do tempo, seja pela normalização dos custos logísticos ou por uma recuperação dos preços das commodities: “O que a gente espera é que de alguma forma isso se equalize, voltando aos preços originais ou eventualmente os preços das commodities reagindo para que a gente volte a ter uma recuperação da rentabilidade do agro”, disse.
Custos devem aparecer nos preços ao longo do ano
No caso específico da Boa Safra, o impacto ocorre durante o período de colheita das sementes de soja. Como parte relevante das vendas da companhia ocorre no segundo semestre, os novos custos tendem a ser incorporados gradualmente nos preços.
O cenário de margens pressionadas torna improvável que a indústria absorva integralmente esses aumentos. “A gente vive um cenário do agro que, olhando o ano de 2025, o agronegócio como um todo teve margens muito comprimidas. Então a gente não vê um cenário que seria possível de alguma forma a indústria absorver esse tipo de custo sem conseguir repassar”, afirmou o CFO da Boa Safra.
Agro passa por transição após ciclo de expansão
Para Marques, o agronegócio brasileiro vive atualmente uma fase de reorganização após um período de expansão acelerada: “Todo mundo buscando eficiências e não tanto o crescimento”.
Apesar do cenário mais desafiador, a Boa Safra apresentou crescimento relevante em 2025. Segundo o CFO, a companhia registrou aumento de aproximadamente 44% na receita no período, consolidando sua liderança no mercado de sementes de soja.
Outro fator que influencia o setor é o ambiente de juros ainda elevados no Brasil, que reduz a disponibilidade de capital e força empresas e produtores a serem mais seletivos em seus investimentos. “Mesmo quem não fez conta tem que fazer conta, porque não tem dinheiro disponível. Ele tem que decidir aquele montante de recurso que ele tem onde vai alocar”, afirmou o exectutivo.
Foco em eficiência em 2026
Após um ciclo recente de expansão, a Boa Safra pretende concentrar esforços em capturar valor da estrutura construída nos últimos anos. A empresa ampliou sua presença comercial e logística e hoje atua em todas as regiões produtoras de soja do país: “Hoje somos uma empresa presente em todas as regiões produtoras de soja do país e esse é um ano de conseguir capturar valor de tudo que a gente construiu”. Segundo Marques, a estratégia da companhia agora é aumentar eficiência e rentabilidade após anos de investimento e expansão. “A infraestrutura da companhia permanece a mesma do ano anterior. Então agora é um ano de buscar maior eficiência e rentabilizar todo o trabalho que a gente fez ao longo dos últimos anos”, concluiu.













