BM&C NEWS
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados

O labirinto urbano de 9000 anos sem ruas onde 8000 moradores andavam pelos telhados para entrar em suas próprias casas

Vitor Por Vitor
17/03/2026
Em Cidades

Imagine um aglomerado de casas de barro tão coladas umas às outras que não sobra espaço para uma única rua. Em Çatalhöyük, na planície de Konya, centro-sul da Turquia, milhares de pessoas viveram assim por quase dois milênios. Para entrar em casa, desciam por escadas através de aberturas no telhado. A vizinhança inteira era o próprio teto.

Um formigueiro humano que durou 2.000 anos

O assentamento surgiu por volta de 7400 a.C. às margens de um braço do rio Çarşamba, hoje seco. Durante cerca de 1.400 anos de ocupação contínua no monte leste, gerações construíram casas de tijolos de barro encostadas parede a parede, sem portas nem janelas externas. Quando uma moradia se deteriorava, os moradores a demoliam parcialmente e erguiam outra por cima dos escombros. Essa sobreposição criou 18 camadas arqueológicas e elevou o monte a 21 metros de altura, segundo dados do Patrimônio Mundial da UNESCO, que inscreveu o sítio em 2012.

As estimativas clássicas apontavam entre 3.500 e 8.000 habitantes no auge da ocupação. Um estudo publicado em 2024 na revista Journal of Anthropological Archaeology, conduzido por pesquisadores das universidades de Notre Dame e Poznań, revisou esse número: na fase intermediária (6700–6500 a.C.), entre 600 e 800 pessoas teriam vivido ali em um ano típico. A divergência mostra que nem todas as casas foram ocupadas ao mesmo tempo.

O labirinto urbano de 9000 anos sem ruas onde 8000 moradores andavam pelos telhados para entrar em suas próprias casas
Çatalhöyük destaca-se como o aglomerado de casas de barro na Turquia onde milhares de pessoas viveram por quase dois milênios (imagem ilustrativa)

Por que ninguém abria portas em Çatalhöyük?

A ausência de ruas não foi acidente. A planície de Konya sofria com cheias sazonais, e caminhos no nível do solo se transformariam em lamaçais. As casas retangulares de tijolos crus tinham aberturas no telhado que serviam de porta, janela e chaminé ao mesmo tempo. Escadas de madeira internas levavam ao cômodo principal, onde ficavam o forno, plataformas para dormir e áreas de trabalho. A fumaça saía pelo mesmo buraco por onde entrava a luz.

Os telhados funcionavam como praças. Em dias de bom tempo, moradores cozinhavam, moíam grãos e socializavam lá em cima. Em fases mais tardias, fornos comunitários foram construídos sobre essas coberturas, conforme registros do Çatalhöyük Research Project.

O labirinto urbano de 9000 anos sem ruas onde 8000 moradores andavam pelos telhados para entrar em suas próprias casas
Çatalhöyük une a arquitetura única de casas coladas à ausência total de ruas na planície de Konya (imagem ilustrativa)

Os mortos dormiam sob os pés dos vivos

Talvez o hábito mais desconcertante de Çatalhöyük seja o costume funerário. Os mortos eram dobrados em posição fetal, enrolados em esteiras de junco e enterrados sob o piso das próprias casas. Adultos ficavam sob as plataformas do cômodo principal. Recém-nascidos eram sepultados perto do forno. Em um único edifício, arqueólogos encontraram 62 corpos sob o chão.

Alguns crânios eram exumados tempos depois, revestidos com gesso e pintados com ocre para recriar feições do rosto. A prática sugere veneração aos ancestrais. Um edifício apelidado de “Casa dos Mortos” pela equipe da Universidade de Poznań abrigava 20 indivíduos sob o piso, acompanhados de paredes pintadas e 14 plataformas cerimoniais.

Quem deseja conhecer as origens da civilização, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Cris Paula Digital, que conta com mais de 1.200 visualizações, onde Cris Paula mostra segredos de Çatalhöyük, na Turquia:

Igualdade de gênero comprovada nos ossos

Çatalhöyük não tinha palácios, templos nem edifícios públicos. Todas as construções conhecidas são residenciais e de tamanho semelhante. Análises de isótopos estáveis realizadas por Michael Richards e Jessica Pearson, citadas em artigo da Scientific American, não encontraram diferença na dieta de homens e mulheres. Ambos os sexos apresentavam o mesmo nível de desgaste ósseo por trabalho e a mesma fuligem incrustada nas costelas, sinal de horas respirando fumaça dentro de casa.

Um estudo genético de 2025, com 131 genomas antigos, revelou que o parentesco era traçado pela linhagem materna. Filhas permaneciam na casa da mãe, enquanto homens se mudavam. Esse padrão matrilocal contrasta com sociedades agrícolas posteriores na Europa, predominantemente patrilocais.

O mural que pode ser o mapa mais antigo do mundo

Nos anos 1960, o arqueólogo britânico James Mellaart encontrou um mural de quase três metros de largura pintado com ocre em uma parede do nível VII. A imagem mostra fileiras de retângulos, que ele interpretou como o próprio assentamento, e acima delas uma forma de dois cumes coberta de pontos. Mellaart viu ali o vulcão Hasan Dağı, localizado a cerca de 130 km, em plena erupção.

Leia Mais

Shibam oferece a engenharia milenar de tijolos de terra crua em uma das metrópoles mais antigas do mundo // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

A metrópole do deserto que construiu arranha céus de barro de 30 metros de altura há 500 anos para se proteger de ataques

17 de março de 2026
A cidadela de pedra erguida a 2400 metros de altitude que foi abandonada misteriosamente e engolida pela floresta tropical durante séculos

A cidadela de pedra erguida a 2400 metros de altitude que foi abandonada misteriosamente e engolida pela floresta tropical durante séculos

16 de março de 2026

A hipótese permaneceu controversa até 2014, quando o vulcanólogo Axel Schmitt, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, datou amostras de pedra-pomes do cume de Hasan Dağı. Os resultados, publicados no periódico PLOS ONE, indicaram uma erupção por volta de 6960 a.C., período compatível com a ocupação do nível onde o mural foi pintado. A coincidência reforça a tese de que moradores podem ter testemunhado o evento e registrado a cena na parede.

O labirinto urbano de 9000 anos sem ruas onde 8000 moradores andavam pelos telhados para entrar em suas próprias casas
Çatalhöyük oferece o fascinante acesso por aberturas no telhado, onde os moradores desciam por escadas para entrar em seus lares (imagem ilustrativa)

Leia também: O projeto da megacidade em formato de cubo com 400 metros de altura desenhada para abrigar o equivalente a 20 arranha-céus no meio do deserto

Espelhos de obsidiana e os primeiros têxteis conhecidos

O vidro vulcânico era a matéria-prima mais valiosa de Çatalhöyük. Com a obsidiana, os habitantes fabricavam lâminas, pontas de flecha e um artefato surpreendente: espelhos polidos com superfície levemente convexa, capazes de refletir imagens nítidas. Mellaart encontrou oito exemplares durante as escavações dos anos 1960, considerados entre os espelhos mais antigos já documentados, com cerca de 8.000 anos. Alguns apareceram em túmulos, acompanhados de pigmentos coloridos, o que sugere uso ritual.

Fragmentos têxteis também foram recuperados, a maioria em contextos funerários. A World History Encyclopedia classifica esses achados como os pedaços de tecido mais antigos já registrados. Além disso, mais de 2.500 estatuetas de argila foram desenterradas, a maioria representando animais.

Conheça a colina que esconde milhares de casas sob os pés

Apenas cerca de 5% da área total de Çatalhöyük foi escavada até agora. Quem caminha sobre o monte leste pisa, sem saber, sobre milhares de construções ainda intocadas. Essa proto-cidade sem ruas, onde a vida acontecia nos telhados e os mortos descansavam sob o chão da sala, continua redefinindo o que sabemos sobre os primeiros passos da humanidade rumo à vida urbana.

Se a arqueologia te fascina, vale colocar a planície de Konya no radar. Çatalhöyük é daqueles lugares que mudam a maneira como você enxerga uma simples parede de barro.

Com suas torres de 65 metros e arquitetura de 1869, o castelo alemão virou o maior símbolo dos contos de fadas e o marco mais visitado da Baviera

Acelerando com 111 cavalos e pesando apenas 980 quilos, o ágil hatch da gigante japonesa consome 14 km por litro custando menos de 50 mil reais

Por que a folha de pagamento colocou as empresas no centro do sistema financeiro

A impressionante hélice de 100 toneladas do maior navio cargueiro do mundo

Com aço damasco em mosaico e detalhes em ouro 24k, a fabricação da espada de US$ 65 mil exige semanas de forja e o uso de marfim de mamute real

Uso de agentes de IA cresce no Brasil e acelera transformação no trabalho

Quem somos

A BM&C News é um canal multiplataforma especializado em economia, mercado financeiro, política e negócios. Produz conteúdo jornalístico ao vivo e sob demanda para TV, YouTube e portal digital, com foco em investidores e executivos.

São Paulo – Brasil

Onde assistir

Claro TV+ – canal 547
Vivo TV+ – canal 579
Oi TV – canal 172
Samsung TV Plus – canal 2053
Pluto TV

Contato

Redação:
[email protected]

Comercial:
[email protected]

Anuncie na BM&C News

A BM&C News conecta marcas a milhões de investidores através de TV, YouTube e plataformas digitais.

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.

Bem-vindo!

Faça login na conta

Lembrar senha

Retrieve your password

Insira os detalhes para redefinir a senha

Conectar

Adicionar nova lista de reprodução

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.