O cientista político Christian Lohbauer afirmou, em entrevista ao BM&C Talks, que o Brasil vive um processo de deterioração institucional e de perda de qualidade democrática. Segundo ele, o país piorou nos últimos anos não apenas pela troca de governos, mas pelo comportamento dos Poderes e pelo enfraquecimento dos freios institucionais.
Ao longo da conversa com o apresentador Carlo Cauti, Lohbauer disse que a política brasileira segue marcada pelo personalismo e por uma relação histórica de dependência em relação ao Estado. Na avaliação dele, a sociedade brasileira ainda não conseguiu inverter essa lógica e fazer com que o poder público reflita de fato a vontade da população.
Cenário político, crise institucional e renovação política
O entrevistado também afirmou que a renovação das lideranças públicas e privadas ocorre de forma lenta no Brasil, o que dificulta mudanças mais profundas. Para ele, há um problema geracional importante, e por isso seu novo livro busca dialogar com os mais jovens e estimular maior participação no debate público.
Ao comentar o caso do Banco Master, Lohbauer avaliou que o episódio se soma a outros sinais de “apodrecimento institucional” em Brasília. Na visão dele, o problema ultrapassa partidos e alcança diferentes estruturas de poder, agravando a crise de confiança nas instituições.
Lohbauer também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Senado. Segundo ele, o Judiciário ampliou excessivamente seu protagonismo, enquanto o Senado falhou em cumprir seu papel de conter abusos e preservar o equilíbrio entre os Poderes.
Disputa eleitoral aberta e decisiva
Sobre a eleição presidencial, o cientista político afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue competitivo e favorito neste momento, sobretudo por contar com a máquina pública, programas sociais e apoio político relevante. Ainda assim, ele destacou que a articulação entre nomes da direita e do centro será decisiva para o rumo da disputa.
Na avaliação de Lohbauer, a eleição pode ser definida por uma pequena parcela do eleitorado, especialmente por votos mais móveis, sensíveis ao noticiário e ao ambiente político das semanas finais da campanha. Ele também ressaltou que o Congresso Nacional seguirá como peça-chave para qualquer tentativa de reconstrução institucional.
Economia preocupa, renovação é defendida
Na área econômica, o entrevistado criticou a condução fiscal do governo e disse que o país caminha para um quadro insustentável sem cortes de gastos. Segundo ele, o crescimento atual não é estrutural e pode cobrar um preço mais alto nos próximos anos, especialmente a partir de 2027.
Ao tratar da nova geração, Lohbauer defendeu que o envolvimento com a política não precisa começar em partidos ou candidaturas, mas no interesse pela vida coletiva, pela comunidade e pelas instituições. Apesar do tom crítico sobre o momento atual, ele afirmou que ainda acredita que o Brasil pode melhorar com renovação de quadros, participação social e recuperação da força institucional.














