Mais uma pesquisa eleitoral foi divulgada e o resultado é muito parecido com o que revelaram os estudos anteriores: Flávio Bolsonaro está em empate técnico no segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera numericamente por 46% a 43%. Até agora, os estrategistas do Planalto tinham desprezado os índices anteriores, pois acreditavam que os resultados de um instituto com maior tradição, como o Datafolha, iriam mostrar números diferentes, favoráveis a Lula. Não foi, contudo, o que aconteceu.
Os petistas, diante dos números divulgados, reagiram de duas formas. Um grupo minimizou e até duvidou dos resultados. Outros, no entanto, desdenharam das conclusões dos estudos, como o deputado Lindbergh Farias, que creditou o crescimento da oposição aos esforços dos apoiadores de Flávio nas redes sociais. “Eles já estão em campanha. Nós vamos começar agora. Vamos falar sobre a vida do povo brasileiro: menor desemprego da série histórica, aumento real do salário-mínimo, maior renda média da história, inflação sob controle”, disse Lindbergh neste final de semana.
Talvez o deputado esteja superestimando a importância desses fatores econômicos, que foram amplamente divulgados pela imprensa nos últimos meses. A queda de popularidade de Lula vem sendo constante há um ano e meio, exceto nos meses que sucederam o tarifaço do presidente americano Donald Trump. Passado o efeito inicial das tarifas alfandegárias, porém, Lula voltou a patinar nas pesquisas. Isso coincidiu com o lançamento da candidatura do senador carioca e de seu crescimento rápido nas enquetes eleitorais.
De um lado, o Planalto maximizou os efeitos da economia na vida dos eleitores e os esforços na pauta social, sem se preocupar em pesquisar melhor as razões da desaprovação do governo. De outro, desprezou o potencial de Flávio Bolsonaro, apostando na rejeição que seu sobrenome carrega.
Quando observarmos atentamente os números do Datafolha, percebemos que do primeiro para o segundo turno há 14 pontos de indecisos e daqueles que pretendem votar branco ou nulo. Além disso, existem 16 pontos distribuídos entre os demais candidatos (no cenário em que Ratinho Jr. está na disputa, além de Romeu Zema, Renan Santos e Aldo Rebelo). O primeiro grupo diminui apenas um ponto entre a etapa inicial e a final do pleito, enquanto os votos dos outros postulantes são distribuídos entre Lula, que sobe oito pontos, e Flávio, que avança onze pontos (eventuais distorções na somatória são explicadas pelos arredondamentos estatísticos).
Isso que dizer que os votos da oposição não migram maciçamente para o senador – e uma parte razoável é abocanhada por Lula, especialmente entre os eleitores de Aldo Rebelo e de Ratinho Jr. Mas os treze pontos de eleitores que não sabem em quem vão votar ou não querem nenhum dos dois candidatos ainda são bastante relevantes, pois podem ainda se transformar em sufrágios para um lado ou para outro.
Lembremos, porém, que os índices de abstenção e de votos nulos e brancos, nas últimas eleições presidenciais, ficaram entre 25% e 30%. Ainda não sabemos se esse fenômeno – típico de eleições polarizadas – pode se repetir em 2026. Mas se a tendência observada no passado se mantiver, o candidato que conseguir transformar intenção em comparecimento terá a vantagem decisiva. E, como a história recente demonstra, em disputas tão equilibradas, pequenos movimentos podem redefinir o rumo do país.
*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho, é jornalista, articulista e publisher do portal Money Report. Foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide
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