Uma família decidiu erguer a própria moradia com um método pouco convencional: usar o solo do próprio terreno para fazer as paredes. Sem concreto ou blocos industriais, eles aplicaram a técnica dos sacos de terra, provando que é possível construir de forma sustentável, econômica e com engenharia acessível.
O que é a técnica de construção com sacos de terra?
Também conhecida como superadobe, a técnica dos sacos de terra consiste em preencher sacos resistentes com solo levemente umedecido e compactá-los manualmente. Os sacos são empilhados em camadas, criando paredes espessas e estáveis sem usar cimento ou argamassa convencional.
No lugar de fundações de concreto, a própria compactação do solo e o formato circular da construção distribuem o peso uniformemente. Isso torna o método especialmente adequado para terrenos inclinados ou com solo instável, desde que bem avaliado.

Como a família preparou o solo e os sacos?
Tudo começou com a terra retirada do próprio quintal. Com pás e baldes, o solo foi separado e levemente umedecido para facilitar a compactação. Em seguida, a família encheu sacos alongados e resistentes, fechando bem as extremidades para evitar vazamentos.
Cada saco foi posicionado formando a primeira fiada circular. Depois veio o trabalho com soquetes manuais: golpe após golpe, a terra foi comprimida até eliminar folgas e criar uma base sólida. A repetição desse processo, camada por camada, deu origem às paredes.
O que garante a resistência das paredes sem cimento?
A estabilidade vem de dois fatores principais: a compactação intensa e a amarração mecânica. Entre uma fiada e outra, a família esticou fios metálicos sobre os sacos já compactados. Quando a próxima camada foi colocada, o fio ficou prensado, travando todo o conjunto e impedindo deslizamentos.
O formato circular das paredes também ajuda: ele distribui o peso uniformemente pela base, evitando pontos de concentração de carga. A tabela abaixo compara os elementos dessa construção com os da alvenaria convencional:
| Elemento | Casa de sacos de terra | Construção tradicional |
|---|---|---|
| Paredes | Sacos de solo compactado | Tijolos ou blocos de concreto |
| União entre camadas | Fios metálicos prensados | Argamassa de cimento |
| Fundação | Base compactada do próprio terreno | Radier ou sapatas de concreto |

Como foram feitas as portas e janelas na construção?
Um dos momentos mais delicados foi criar as aberturas sem comprometer a estrutura. A família não cortou as paredes depois de prontas; em vez disso, molduras de madeira foram posicionadas nos locais exatos antes que as camadas atingissem a altura total.
As fiadas seguintes contornaram essas estruturas, integrando portas e janelas à parede desde o início. Tábuas de apoio mantiveram o alinhamento enquanto os sacos eram compactados nas laterais, garantindo que os vãos ficassem perfeitamente encaixados.
Como o telhado foi instalado sem comprometer as paredes?
Quando as paredes chegaram à altura desejada, a família apoiou vigas de madeira sobre o topo da estrutura circular. As vigas partiram do centro em direção às bordas, criando a inclinação necessária para o escoamento da água.
Depois de ajustados os encaixes, foram fixadas chapas metálicas onduladas com parafusos aparentes. O peso do telhado foi o teste final: a estrutura de sacos de terra sustentou madeira e metal sem qualquer deformação, comprovando a eficácia do método.

O canal AKLA GELEN, com mais de 1,06 milhão de inscritos, publicou um vídeo em time‑lapse que mostra toda a construção. Em 8 minutos, é possível acompanhar cada etapa, do enchimento dos sacos à aplicação do revestimento final, numa obra que durou meses.
Por que essa forma de construir é considerada sustentável?
Além de dispensar o cimento, cuja produção responde por cerca de 8% das emissões globais de CO₂, a técnica aproveita um recurso abundante e local: a terra do próprio terreno. Isso elimina custos e impacto ambiental com transporte de materiais.
Alguns benefícios que chamam atenção nesse modelo:
- Materiais naturais e locais: o solo é retirado do próprio local, reduzindo a pegada ecológica.
- Baixo custo: os sacos, os fios e as chapas metálicas são acessíveis e substituem insumos caros.
- Mão de obra familiar: a construção foi feita pelos próprios moradores, gerando autonomia e economia.
- Conforto térmico: as paredes grossas de terra mantêm a temperatura interna amena naturalmente.
A experiência dessa família mostra que a construção civil pode incorporar métodos mais simples, baratos e ecológicos sem abrir mão de solidez e durabilidade. Uma inspiração para quem busca alternativas ao modelo convencional.

