A semana começa com a retomada mais intensa da temporada de balanços corporativos do quarto trimestre de 2025 na B3. Companhias relevantes de setores como siderurgia, energia, utilities, consumo, seguros e tecnologia divulgam seus números nos próximos dias, em um momento considerado decisivo para ajustar expectativas do mercado após a recente valorização do Ibovespa.
Segundo avaliação do estrategista-chefe da MSX, Marco Saravalle, os balanços devem ajudar investidores a reprecificar ativos e entender a real dinâmica da economia doméstica e global neste início de ano.
O mercado acompanhará principalmente quatro pontos: margens operacionais, nível de endividamento, geração de caixa e projeções para 2026.
Temporada de balanços: semana começa com siderurgia e telecom
A agenda tem início nesta segunda-feira (23), antes da abertura do mercado, com os números de Irani e Telefônica Brasil. Após o fechamento, saem os resultados de Gerdau e Metalúrgica Gerdau, considerados importantes indicadores antecedentes da atividade industrial.
A siderúrgica costuma funcionar como termômetro da economia global. O desempenho da empresa ajuda analistas a avaliar demanda por aço, comportamento de preços internacionais e pressão de custos industriais.
Além dos números operacionais, investidores devem observar especialmente a evolução das margens e eventuais comentários sobre demanda nos Estados Unidos e no Brasil.
Consumo e elétricas entram no radar
Na terça-feira (24), os resultados se concentram em consumo doméstico e energia, com ISA Energia Brasil, Iguatemi, C&A Brasil e Grupo Pão de Açúcar divulgando balanços após o fechamento do mercado.
O conjunto desses dados tende a oferecer sinais sobre:
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nível de atividade econômica
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poder de compra das famílias
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impacto dos juros ainda elevados
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comportamento do varejo
O setor elétrico também ganha importância neste momento porque serve como proxy de atividade econômica e consumo de energia industrial.
WEG é o balanço mais aguardado
Na quarta-feira (25), antes da abertura, sai um dos números mais aguardados da temporada: WEG.
A companhia é acompanhada de perto por investidores institucionais por sua forte exposição internacional e por atuar em bens de capital, segmento sensível ao ciclo econômico global. O balanço pode trazer pistas sobre investimentos industriais, encomendas e ritmo da economia mundial.
Após o fechamento, divulgam números Engie Brasil Energia, Copasa, Intelbras, Kepler Weber, Iochpe-Maxion e Nubank, ampliando a leitura sobre tecnologia, infraestrutura e crédito.
Quinta concentra maior volume de balanços
A quinta-feira (26) será o dia mais carregado da semana. Antes da abertura, a Marcopolo publica seus resultados.
Depois do fechamento, entram em cena:
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Caixa Seguridade
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Copel
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Axia Energia
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B3
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Sanepar
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M. Dias Branco
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Odontoprev
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Banco BMG
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Qualicorp
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Aura Minerals
O grande volume de divulgações deve aumentar a volatilidade do mercado, especialmente porque o investidor busca confirmar a sustentabilidade do recente movimento da bolsa.
Além da temporada de balanços: dividendos também entram no foco
Além dos balanços, a semana também traz eventos corporativos relevantes para quem acompanha renda passiva.
Na segunda-feira (23) ocorre a data com de juros sobre capital próprio (JCP) de Telefônica Brasil, de R$ 0,08 por ação, e do Banco do Brasil, de R$ 0,21 por ação, com pagamento previsto para 5 de março de 2026 e atualização pela Selic até a data.
Na quarta-feira (25), estão programados pagamentos de proventos de ISA Energia Brasil, Schulz e Grendene.
Rotação setorial pode ser testada
Para o mercado, a temporada vai além da divulgação de números trimestrais. Os resultados podem confirmar ou alterar a atual rotação setorial observada na bolsa brasileira.
Empresas ligadas à economia doméstica, utilities e bancos passaram a ganhar mais atenção recentemente, enquanto investidores avaliam se a melhora do fluxo para ações brasileiras se sustenta.
Os guidances para 2026 devem ser particularmente relevantes, pois indicarão como as companhias enxergam:
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trajetória de juros
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demanda interna
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ciclo global
Com uma agenda carregada e ampla diversidade de setores, a semana tende a ser determinante para o humor do mercado no curto prazo.












