O setor brasileiro de mineração e siderurgia vive um momento de forças opostas. Enquanto o preço do minério de ferro recua no mercado internacional, as ações das empresas seguem mostrando resiliência na Bolsa. A avaliação é da XP Investimentos em relatório divulgado nesta semana.
Segundo os analistas, os papéis da Vale (VALE3) vêm se descolando da dinâmica tradicional das commodities. A ação avançou cerca de 4% em uma semana mesmo com o minério de ferro registrando queda próxima de 4% no mesmo período.
No documento, a casa afirma que as ações da companhia “continuaram se descolando da dinâmica do minério de ferro, ampliando o bom momento recente do papel”.
A XP explica que o comportamento não está ligado apenas aos fundamentos da commodity, mas principalmente ao posicionamento dos investidores. De acordo com o relatório, o movimento é sustentado por entrada de capital estrangeiro, valuation relativamente atrativo frente aos concorrentes globais e expectativa de resultados operacionais sólidos no curto prazo.
Vale ainda atrai capital estrangeiro
Mesmo após a recente valorização, a casa mantém cautela. A recomendação para VALE3 segue neutra e o preço-alvo indica potencial limitado de valorização.
A análise aponta que a mineradora continua atraente por geração de caixa. O rendimento de fluxo de caixa livre projetado supera 7%, acima do observado entre concorrentes globais.
Ainda assim, a XP vê risco na dependência do ciclo da commodity. Segundo os analistas, “os fundamentos ainda indicam uma assimetria negativa das ações em relação ao comportamento do minério”.
Minério recua e China segue decisiva
O minério de ferro permanece pressionado. O contrato de referência (62% de teor de ferro) foi negociado próximo de US$ 98 por tonelada, com queda semanal ao redor de 4%.
A principal explicação continua sendo a China. Os estoques nos portos chineses voltaram a subir, sinalizando demanda industrial moderada.
Sem uma retomada consistente da construção civil e da produção de aço no país asiático, a commodity encontra dificuldade para sustentar altas.
Ouro sobe e favorece mineradoras auríferas
Enquanto o minério perde força, o ouro segue em trajetória oposta. O metal registrou forte alta recente.
A XP relaciona o movimento à atuação do banco central chinês, que ampliou novamente suas reservas. Segundo o relatório, a autoridade monetária do país mantém compras consecutivas do metal há mais de um ano.
O cenário melhora a perspectiva para empresas expostas ao ouro, como a Aura Minerals.
Para as siderúrgicas brasileiras, a leitura também é moderada. Os preços do aço no Brasil ficaram praticamente estáveis na semana analisada.
Nesse contexto, a Gerdau aparece como a principal preferência dentro do setor, enquanto CSN e Usiminas mantêm avaliação neutra.
O que observar
A XP aponta três fatores principais que devem direcionar as ações do setor ao longo de 2026: entrada de capital estrangeiro em mercados emergentes, atividade econômica chinesa e trajetória dos juros globais.
A conclusão dos analistas é que o setor pode manter suporte no curto prazo, mas a valorização estrutural depende de melhora consistente da demanda por minério.
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