O payroll dos EUA divulgado nesta quarta-feira (11), apontou a criação de 130 mil vagas em janeiro, praticamente o dobro da expectativa do mercado, que previa 67 mil novos postos de trabalho.
Além disso, a taxa de desemprego ficou em 4,3%, abaixo do consenso de 4,4%, sinalizando que o mercado de trabalho americano permanece resiliente mesmo após o ciclo mais intenso de alta de juros das últimas décadas.
O dado é acompanhado de perto por investidores globais porque funciona como um dos principais termômetros da atividade econômica dos EUA e, principalmente, da trajetória futura da política monetária do Federal Reserve (Fed).
Salários sobem acima do previsto e acendem alerta inflacionário, mostra Payroll dos EUA
O salário médio por hora subiu 0,4% na comparação mensal, acima da projeção de 0,3% e também acima do avanço de 0,3% registrado em dezembro. Na comparação anual, a alta foi de 3,7%, levemente acima do consenso de 3,6%.
A aceleração dos rendimentos é considerada crucial para o Fed, porque salários mais altos tendem a sustentar o consumo, principal motor da economia americana, e dificultar a convergência da inflação para a meta.
Em outras palavras: mesmo com inflação desacelerando, um trabalhador que continua recebendo mais mantém a demanda aquecida, o que pode impedir cortes rápidos de juros.
Especialistas descartam corte de juros na próxima reunião
Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o payroll mais forte reduz a probabilidade de corte imediato de juros pelo Federal Reserve. Segundo ele, a criação de 130 mil vagas, quase o dobro do esperado, somada ao avanço dos salários tira força para um movimento já na reunião de março e deve levar o mercado a postergar as apostas para o fim do primeiro semestre.
“Acredito que isso tira força para discussão de corte de juros na próxima reunião deles em março. E prologa a expectativa para o segundo semestre, quando teremos Kevin Warsh na presidência do Fed”, concluiu Cruz.
Na mesma linha, William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, avaliou que o dado surpreendeu porque o mercado vinha trabalhando com um “novo normal” próximo de 50 mil vagas mensais. Para ele, o número elevado, puxado principalmente pelo setor de saúde, levou à alta generalizada dos yields dos títulos do governo americano e ao fortalecimento da moeda americana, além de reduzir apostas de afrouxamento monetário no curto prazo.
“Isso tende a reduzir as apostas de corte de juros ou alongar esse corte para o segundo semestre”, concluiu Castro Alves.













