O mercado financeiro acompanha nesta terça-feira (10) a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, primeiro dado cheio de inflação do ano. A expectativa predominante é de uma leitura moderada no indicador, embora a composição do índice ainda deva sinalizar persistência inflacionária relevante para a condução da política monetária.
A projeção do Banco Daycoval é de alta de 0,31% no mês. “O destaque deve ser o grupo de serviços, em patamar mais baixo, diante da deflação em passagens aéreas”, afirma o economista da instituição, Júlio Barros.
Já a Warren Investimentos trabalha com estimativa ligeiramente maior, de 0,37%, o que levaria a inflação acumulada em 12 meses para cerca de 4,49%, acima dos 4,26% registrados em dezembro.
Apesar da diferença de magnitude, as duas casas convergem em um ponto: o dado cheio não deve ser suficiente para definir o cenário de juros, a atenção estará na qualidade da inflação.
O comportamento dos preços no setor de alimentação também deve atrair as atenções. “A alimentação em domicílio deve ter alta moderada, situando-se pelo segundo mês consecutivo no terreno positivo, mas quando olhamos para a variação interanual deve ficar abaixo de 1%”, ressalta Barros.
Nos preços administrados, a gasolina aparece como vetor de alta, em função da elevação de impostos, enquanto a energia elétrica deve ajudar a compensar.
A Warren Investimentos avalia que a alimentação deve ganhar protagonismo na inflação de janeiro, com avanço puxado principalmente por alimentos in natura, embora itens como aves, ovos e leite devam limitar parte das pressões.
O foco do mercado: núcleo da inflação
Mais do que o número mensal, o mercado deve observar o comportamento dos serviços subjacentes — aqueles mais sensíveis ao mercado de trabalho e considerados fundamentais pelo Banco Central.
Segundo Júlio Barros, mesmo com o alívio pontual das passagens aéreas, a inflação estrutural segue elevada: “As atenções vão estar voltadas para os itens dentro do grupo de serviços, em especial os intensivos em trabalho. A expectativa é que mostrem alta relevante. O grupo dos serviços subjacentes, que é o núcleo da inflação, deve seguir em patamar elevado e constitui desafio para o Banco Central”.
A Warren também avalia que os núcleos não devem mostrar alívio relevante ao longo do ano, mantendo a inflação resistente. O dado ganha peso adicional porque pode calibrar as apostas para o início do ciclo de cortes da Selic.
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