As pequenas e médias empresas (PMEs) iniciaram 2026 sob pressão crescente no mercado de trabalho. Embora representem cerca de 93,8% das empresas ativas no Brasil, essas companhias enfrentam entraves estruturais relevantes, sobretudo na contratação de profissionais qualificados. A taxa de desemprego recuou para 5,2% no trimestre encerrado em novembro de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, indicando um mercado de trabalho mais restrito.
Paradoxalmente, 62% das empresas relatam dificuldade em encontrar mão de obra preparada, mesmo com milhões de pessoas fora do mercado formal. O dado evidencia um descompasso persistente entre oferta de trabalhadores, qualificação profissional e as demandas reais das empresas. Esse desalinhamento afeta diretamente a produtividade e limita o crescimento econômico, em um cenário no qual o PIB brasileiro deve avançar cerca de 1,8% em 2026, ritmo considerado moderado.
Por que o desemprego baixo não resolve a falta de profissionais?
Com o desemprego em mínima histórica, o desafio das PMEs deixou de ser apenas a abertura de vagas e passou a envolver a capacidade de execução. Funções operacionais e comerciais, em especial, concentram gargalos de contratação, exigindo qualificação prática, adaptação rápida e alinhamento com processos internos. Nesse contexto, erros de contratação representam custos elevados de tempo, treinamento e perda de produtividade.
Além disso, muitas PMEs não dispõem de estrutura interna suficiente para formar equipes do zero, o que amplia a busca por modelos alternativos de incorporação de profissionais ao mercado. A discussão, portanto, migra da simples contratação para a eficiência operacional e a velocidade de entrega.
Modelos privados ganham espaço na formação e execução
Diante dessas limitações, cresce o uso de modelos privados voltados à formação prática e à execução especializada de atividades estratégicas, especialmente aquelas ligadas à geração de receita. Esses modelos combinam capacitação aplicada, padronização de processos e escala operacional, reduzindo o tempo entre planejamento e resultado.
Na prática, iniciativas desse tipo apostam em treinamentos direcionados, com foco em competências específicas, uso de ferramentas digitais e aplicação imediata no dia a dia das operações. A lógica é reduzir o hiato entre qualificação e empregabilidade, ao mesmo tempo em que as empresas ganham previsibilidade e eficiência.
Impacto estrutural para as PMEs
Especialistas avaliam que a expansão desses modelos reflete falhas estruturais do mercado de trabalho brasileiro, como a baixa aderência entre formação tradicional e necessidades práticas das empresas. Para as PMEs, a adoção de soluções mais integradas tornou-se uma estratégia de sobrevivência em um ambiente econômico mais competitivo e com margens pressionadas.
Enquanto isso, o desafio de alinhar qualificação, produtividade e crescimento permanece como um dos principais entraves ao desempenho das pequenas e médias empresas, que seguem sendo o principal motor da economia real no país.
