O noticiário corporativo desta terça-feira (03) é marcado por anúncios de recompra de ações, reorganizações societárias, desinvestimentos e potenciais operações de M&A, reforçando a agenda de disciplina de capital e eficiência operacional entre companhias listadas.
O Fleury aprovou um programa de recompra de até 2,3 milhões de ações, equivalente a 0,42% do capital total e 0,52% das ações em circulação, com vigência entre 3 de fevereiro de 2026 e 3 de fevereiro de 2027. O objetivo é lastrear planos de incentivos de longo prazo, como ações diferidas e programas de matching.
Para Marco Saravalle, mestre em finanças e estrategista-chefe da MSX, a operação é “um sinal positivo de disciplina de capital e alinhamento com os acionistas”, ainda que o efeito econômico seja limitado no curto prazo. Segundo ele, o impacto maior está na “mensagem de governança e no sentimento do mercado”.
Taurus avalia M&A
A Taurus prorrogou até 30 de abril de 2026 o memorando de entendimentos (MoU) não vinculante para uma possível aquisição do controle da empresa turca Mertsav, com renovação automática por mais três meses.
Na leitura de Saravalle, a extensão do prazo “permite concluir a due diligence com dados mais recentes e mantém a opcionalidade estratégica sem compromisso imediato”, o que reduz riscos de execução e preserva flexibilidade.
Hapvida faz desinvestimento imobiliário
A Hapvida anunciou a devolução do imóvel do antigo Hospital Nova Serrana, em Minas Gerais, à prefeitura local, com entrada estimada de R$ 41,2 milhões em caixa. A unidade está desativada desde setembro de 2025 e não há impacto no atendimento aos beneficiários.
Para Saravalle, o movimento representa “reforço de caixa e simplificação de ativos”, em linha com uma agenda de eficiência operacional que vem sendo implementada pela companhia.
CPFL Energia tem reorganização societária
A CPFL aprovou a incorporação da CPFL Geração pela CPFL Comercialização Brasil, operação que envolve versão do acervo líquido e aumento de capital de R$ 927 milhões. O objetivo é integrar geração e comercialização, reduzir custos e fortalecer a atuação no mercado livre de energia.
Segundo Saravalle, trata-se de um “movimento estrutural de otimização societária e eficiência operacional”, com potencial de ganhos de escala e redução de complexidade organizacional.
Na Tim, fibra no radar
A TIM confirmou tratativas não vinculantes com a IHS Fiber Brasil para uma possível aquisição da I-Systems, empresa de infraestrutura de fibra óptica. O valor de referência de mercado gira em torno de US$ 170 milhões, mas ainda não há definição sobre preço, estrutura ou prazos.
Na visão de Saravalle, a operação reforça “o foco estratégico em banda larga e infraestrutura, com abordagem seletiva”, sem comprometer, por ora, a disciplina financeira da companhia.
Totvs vende Dimensa
A Totvs anunciou a venda da Dimensa para a Evertec, em uma transação com equity value de cerca de R$ 1,4 bilhão. Antes disso, a empresa adquiriu os 37,5% da B3 na Dimensa por R$ 665 milhões, consolidando 100% do capital para viabilizar a operação.
O retorno estimado é de 7,4 vezes o capital investido, com TIR de 18,3% ao ano desde 2008. Para Saravalle, trata-se de uma “transação exemplar de foco no core e criação de valor”, que reforça a estratégia da Totvs de concentrar esforços em cloud e inteligência artificial.
Veja mais notícias aqui.
Acesse o canal de vídeos da BM&C News.












