O Ibovespa renovou sua máxima histórica na manhã de hoje, terça-feira (3) e atingiu 187.333,83 pontos, novo recorde intraday para o principal índice da Bolsa brasileira. A marca foi alcançada ainda nas primeiras horas de negociação, refletindo um ambiente de maior apetite ao risco, entrada de capital estrangeiro e expectativas mais favoráveis para o cenário global de juros.
O movimento ocorre em meio a uma reprecificação global de ativos de risco, com investidores reagindo a sinais de desaceleração da inflação nas principais economias e à percepção de que os bancos centrais se aproximam do fim do ciclo de aperto monetário.
O que explica o recorde do Ibovespa?
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, os novos recordes do Ibovespa estão diretamente associados ao movimento de recomposição de portfólios globais e à melhora da leitura de risco sobre mercados emergentes.
“O que estamos vendo é uma combinação de fatores: expectativa de queda de juros nas economias centrais, maior liquidez global e uma reprecificação do risco em mercados emergentes como o Brasil, que ficaram para trás em ciclos anteriores”, afirma.
Segundo Agostini, o fluxo estrangeiro no Ibovespa volta a ganhar relevância justamente porque os investidores buscam mercados que ainda oferecem prêmio de risco elevado, tanto em renda fixa quanto em renda variável.
“O Brasil aparece como um dos poucos grandes mercados que ainda têm diferencial de juros, empresas com valuation relativamente baixo e ativos líquidos capazes de absorver volumes relevantes de capital”, diz.
Juros globais impulsionam ativos de risco e impulsionam o Ibovespa
Na avaliação do economista, a perspectiva de que o ciclo de aperto monetário global esteja próximo do fim é um dos principais vetores por trás da alta observada na Bolsa brasileira.
“Quando o mercado passa a trabalhar com a ideia de que os juros não vão mais subir, e que em algum momento começarão a cair, o efeito imediato é a valorização dos ativos de risco. Isso vale especialmente para países emergentes, que são os primeiros a se beneficiar desse movimento”, explica.
Esse ambiente favorece ações de empresas com perfil mais cíclico, setores ligados a commodities e companhias mais sensíveis ao custo de capital.
Movimento técnico e realização
Apesar das novas máximas, Agostini pondera que parte do movimento tem caráter técnico e está associada à recomposição de posições, após um período prolongado de subalocação em Brasil por investidores internacionais.
“Existe um componente de correção de distorções. O mercado brasileiro passou muito tempo barato em termos relativos. Agora há um processo de fechamento desse gap, mas isso não significa que o movimento seja linear ou sem volatilidade”, afirma.
Segundo ele, a redução dos ganhos ao longo do dia é compatível com um ambiente de recordes, no qual muitos investidores aproveitam para realizar lucros de curto prazo.
Novo patamar simbólico do Ibovespa
A marca de 187 mil pontos, mesmo atingida apenas de forma intradiária, consolida um novo patamar simbólico para o mercado acionário brasileiro e reforça a mudança de humor dos investidores em relação aos ativos domésticos.
Mais do que um número isolado, o recorde reflete uma reavaliação estrutural de risco, liquidez e expectativas macroeconômicas, em um contexto no qual o Brasil volta a ganhar espaço nos portfólios globais, ainda que em um ambiente naturalmente sujeito a ajustes e períodos de maior volatilidade.













