No meio da paisagem urbana da zona oeste paulistina, o SESC Pompéia se consolidou como uma referência de arquitetura brasileira que alia uso social, memória industrial e linguagem contemporânea. Instalado em um antigo complexo fabril, o centro cultural mostra como o projeto de Lina Bo Bardi transformou uma área de produção em um espaço de lazer, cultura e convivência, tornando-se um dos símbolos mais estudados da arquitetura brutalista no país.
O que é o SESC Pompéia e qual a importância de sua origem industrial?
O conjunto atual ocupa o terreno de uma fábrica de tambores metálicos da década de 1930. Quando o SESC assumiu a área, discutia-se a demolição completa das estruturas antigas, o que significaria apagar parte da memória operária do bairro.
Lina Bo Bardi propôs o caminho oposto: preservar os galpões e integrá-los a novos volumes em concreto aparente. Esse gesto reposicionou o lugar, mantendo o passado industrial e abrindo espaço para práticas culturais e esportivas voltadas à comunidade.

Por que o SESC Pompéia é um centro cultural diferente em São Paulo?
O SESC Pompéia se destaca por combinar em um mesmo conjunto teatro, salas de exposição, áreas de esportes, oficinas, convivência e programação educativa. Essa diversidade é organizada para facilitar o encontro entre pessoas de diferentes faixas etárias e origens sociais.
O projeto também dialoga com o entorno ao manter fachadas permeáveis, pátios abertos e percursos que prolongam a experiência da rua. Essa abertura reafirma o caráter público do equipamento e o insere na paisagem cotidiana do bairro.
Como Lina Bo Bardi adaptou o brutalismo à realidade brasileira?
No SESC Pompéia, o brutalismo se afasta de uma leitura puramente técnica ou monumental e ganha forte dimensão social. Cada elemento arquitetônico se conecta diretamente a usos coletivos, à permanência e à experiência sensorial do visitante.
Os galpões originais, de tijolos aparentes e coberturas metálicas, abrigam áreas de convivência, enquanto as novas torres de concreto concentram quadras e atividades esportivas. Vãos generosos, aberturas irregulares, janelas circulares, água e áreas verdes suavizam os volumes, aproximando o brutalismo do clima tropical e da escala humana.
Com mais de 13 mil visualizações, o canal Sesc Pompeia explora como as passarelas de concreto do SESC Pompéia se tornaram símbolo da arquitetura brasileira:
Por que as passarelas do SESC Pompéia se tornaram um ícone arquitetônico?
Entre os elementos mais conhecidos do conjunto estão as passarelas que conectam as torres de concreto sobre o pátio central. Mais do que recurso plástico, elas organizam a circulação e permitem observar o movimento no térreo, como mirantes internos.
As aberturas circulares nas fachadas das torres e nas laterais das passarelas enquadram vistas da cidade e do próprio SESC. Para entender seu papel na experiência do visitante, vale destacar alguns aspectos centrais:
- Conexão funcional: ligam pavimentos esportivos e áreas de uso coletivo de forma direta.
- Referência visual: tornaram-se símbolo do conjunto em fotos, vídeos e publicações no Brasil e no exterior.
- Experiência espacial: oferecem diferentes percepções de altura, luz, vento e enquadramento da paisagem urbana.
Como o SESC Pompéia contribui para a preservação e o reuso de edifícios?
Ao transformar uma antiga fábrica em centro cultural, o projeto reforçou a arquitetura como ferramenta de reuso e requalificação urbana. Em vez de expandir a cidade para novas áreas, mostra-se possível revitalizar estruturas existentes e adaptá-las a novas funções.
O reconhecimento internacional do conjunto cresceu nas últimas décadas, atraindo pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em preservação da memória, integração urbana, uso social do concreto e programação diversa. Mais de quatro décadas após sua criação, o SESC Pompéia segue ativo, referência em centros culturais e em desenho de espaços públicos voltados à convivência.

