O PicPay estreia na bolsa de valores nesta quinta-feira (29), em sua oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos. A operação marca a primeira abertura de capital de uma empresa brasileira desde 2021, encerrando um período de quatro anos sem estreias nacionais no mercado internacional.
A fintech será negociada na Nasdaq, sob o ticker “PICS”, e precificou suas ações em US$ 19, no topo da faixa indicativa apresentada aos investidores.
Com a operação, o PicPay pretende alcançar uma avaliação de mercado entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,6 bilhões. A listagem representa um movimento relevante de retomada do apetite por ativos brasileiros no exterior, após um longo período de retração no mercado de capitais global.
Bancos coordenadores e estrutura da oferta do PicPay
O IPO foi coordenado por Citigroup, Bank of America e RBC Capital Markets, que atuaram como líderes da operação. Além deles, também participaram como bookrunners os bancos Mizuho, Wolfe e Nomura Alliance, além das instituições brasileiras Bradesco BBI, BB Securities, BTG Pactual e XP.
A operação insere o PicPay no grupo de fintechs brasileiras listadas no exterior e ocorre em um momento de maior seletividade por parte dos investidores, que vêm priorizando empresas com geração de receita, base consolidada de clientes e potencial de rentabilidade.
EUA como centro de precificação global
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a listagem de empresas brasileiras nos Estados Unidos reflete uma decisão estrutural, e não conjuntural. Segundo ele, o mercado americano oferece uma combinação difícil de ser replicada em outros centros financeiros: profundidade de capital, alta liquidez, múltiplos mais elevados e uma base global de investidores institucionais.
“Quando uma empresa opta por acessar o mercado americano, ela está buscando não apenas recursos, mas uma precificação mais eficiente e um ambiente de maior valorização no longo prazo”, avalia.
Na leitura do estrategista, esse movimento, observado agora com o PicPay, consolida os EUA como principal destino de empresas que desejam escala internacional e, ao mesmo tempo, reforça a importância de o investidor brasileiro olhar para o mercado americano como parte central de uma estratégia de diversificação patrimonial.












