A elevada carga tributária assumiu o posto de principal problema enfrentado pela indústria da construção no Brasil. É o que mostra a Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta quarta-feira (28) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
De acordo com a pesquisa, entre o terceiro e o quarto trimestres de 2025, a menção à carga tributária como entrave ao setor avançou cinco pontos percentuais, passando de 32,2% para 37,2%, e ultrapassando as taxas de juros elevadas, que ficaram em segundo lugar no ranking, com 32,1% das citações.
Na sequência, aparecem os problemas relacionados à mão de obra. Tanto a falta ou o alto custo de trabalhadores qualificados quanto a mão de obra não qualificada foram apontados por 28,5% dos empresários do setor, evidenciando um gargalo estrutural que segue pressionando a atividade.
A Sondagem Indústria da Construção ouviu 315 empresas, 123 pequenas, 134 médias e 58 grandes, entre os dias 5 e 14 de janeiro de 2026.
Além da carga tributária: crédito segue difícil e margens pressionadas
O levantamento mostra que o acesso ao crédito permanece restrito. O índice de facilidade de obtenção de financiamento ficou em 39 pontos no quarto trimestre de 2025, bem abaixo da linha de 50 pontos, que separa percepção de facilidade e dificuldade.
“O ciclo de atividade da indústria da construção é longo e o setor tem grande necessidade de crédito para fazer os empreendimentos. À medida que o acesso ao crédito está difícil e caro, por conta das taxas de juros elevadas, o setor é muito afetado”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
A pesquisa também indica maior insatisfação com as margens de lucro. O índice de satisfação com o lucro operacional recuou para 45,1 pontos, enquanto o indicador de situação financeira subiu levemente, alcançando 49,5 pontos, ainda abaixo do nível considerado satisfatório.
Já os preços de insumos e matérias-primas mantiveram ritmo de alta, com índice estável em 61,6 pontos, sinalizando que os custos seguem pressionando o setor.
Atividade desacelera no fim de 2025
Em dezembro de 2025, o índice de evolução do nível de atividade da indústria da construção caiu para 44,7 pontos, abaixo dos 48,2 pontos registrados em novembro. Segundo a CNI, a retração foi mais intensa do que o padrão sazonal e levou o indicador ao menor patamar para o mês desde 2018.
A utilização da capacidade operacional permaneceu estável em 67%, enquanto o índice de evolução do número de empregados recuou para 45,7 pontos, ainda acima da média histórica para dezembro.
Confiança ainda abaixo do nível positivo
Apesar de leve alta em janeiro de 2026, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da construção ficou em 48,6 pontos, indicando falta de confiança. O resultado reflete, principalmente, a avaliação negativa sobre as condições atuais da economia, embora as expectativas para os próximos meses sejam mais favoráveis.
Os indicadores de expectativa avançaram no início de 2026 e passaram para o campo positivo. O índice de expectativa de novos empreendimentos e serviços subiu para 52,9 pontos, enquanto o de nível de atividade e emprego atingiu 52,8 pontos. A expectativa de compras de insumos chegou a 52,5 pontos.
A intenção de investimento também avançou, alcançando 44,6 pontos, na terceira alta consecutiva, ainda que abaixo do patamar observado no início de 2025.
Segundo a CNI, a melhora nas expectativas está associada ao lançamento de programas voltados ao setor, como novos modelos de crédito imobiliário, além da perspectiva de redução da taxa Selic nos próximos meses.













