A disparada recente do ouro reacendeu o interesse de investidores em busca de proteção, mas também levantou um alerta importante sobre risco de entrada tardia no ativo. Em entrevista à BM&C News, o economista Bruno Corano avalia que, apesar do papel histórico do ouro como reserva de valor, o nível atual de preços aumenta significativamente a chance de correções no médio e longo prazo.
Segundo Corano, o movimento de valorização do ouro está fortemente ligado à instabilidade geopolítica global e ao aumento da procura por ativos considerados seguros.
“O ouro subiu muito. Ele carrega valor ao longo do tempo, mas não é um ativo feito para gerar ganhos recorrentes. E muitos investidores estão tratando o metal como ativo de retorno, quando sua função principal é proteção patrimonial”, avaliou.
Ouro no limite, prata com fundamentos
O economista reconhece que ganhos pontuais ainda são possíveis, mas destacou que os riscos de longo prazo para o ativo.
“Alguém pode comprar hoje e ganhar 5% em uma semana ou um mês. Isso é possível. Mas, como ativo de longo prazo, o ouro tem imensamente mais chances de corrigir para baixo do que de continuar subindo nesse nível”, disse.
Ao comparar o ouro com a prata, Corano faz uma distinção relevante. Enquanto o ouro sofre pressão principalmente pela busca defensiva e pela oferta limitada, a prata enfrenta um desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda.
“A prata é um subproduto de outros metais, como o cobre. O processo de refino é complexo, caro e concentrado em poucos lugares”, explicou.
Esse gargalo produtivo, segundo ele, pode sustentar preços elevados por um período prolongado. Corano citou estimativas que apontam pelo menos seis anos para um eventual reequilíbrio entre oferta e demanda da prata, dado o alto custo e o longo prazo necessário para novos investimentos em capacidade de refino.
Avanço das bolsas mascara fragilidade setorial, alerta Corano
A entrevista também abordou o aparente paradoxo entre metais em alta e bolsas ainda sustentadas, especialmente nos Estados Unidos. Para Corano, os índices mascaram uma distorção crescente entre setores.
“Os índices seguem subindo, mas um grupo restrito de empresas continua valorizando, enquanto setores sólidos e perenes seguem caindo ou andando de lado”, afirmou.
Na visão do economista, o cenário exige cautela redobrada.
“Existe uma sensação de prosperidade que não reflete a realidade da maior parte dos setores”, concluiu.












