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Fim da barreira de 1975: Estônia derruba “muralha” de concreto, libera 3.000 km de rios e traz o salmão de volta

Paulo Silva Por Paulo Silva
27/01/2026
Em ÚLTIMAS NOTÍCIAS

A remoção da barragem de Sindi rompeu o silêncio de meio século, permitindo que as águas do rio Pärnu corressem livres após a demolição da massiva estrutura de concreto. Esta operação monumental reconectou uma bacia hidrográfica que abrange um quinto do território estoniano, restaurando rotas vitais para a biodiversidade.

Como ocorreu o momento histórico de ruptura?

O som ensurdecedor das máquinas pesadas perfurando o concreto marcou o fim de uma era de estagnação ecológica. Quando a brecha final foi aberta, a água represada avançou com força total, limpando o leito do rio de sedimentos acumulados por décadas.

Este evento simbólico não apenas derrubou uma parede física, mas restabeleceu o fluxo natural de um sistema hídrico complexo. Engenheiros e biólogos monitoraram o momento exato em que a correnteza voltou a ditar o ritmo da natureza local.

Remoção de barragens na Estônia libera 3.000 km de rios e permite o retorno do salmão
Remoção de barragens na Estônia libera 3.000 km de rios e permite o retorno do salmão

Por que a fábrica soviética criou essa barreira?

Construída em 1975, a estrutura original servia para fornecer água a uma fábrica de lã da era soviética, operando como um motor industrial da região. Com o fechamento da fábrica, a barragem perdeu sua função econômica, tornando-se um obstáculo obsoleto e prejudicial ao meio ambiente.

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A barreira de concreto permaneceu de pé por anos sem gerar energia ou valor produtivo, bloqueando rotas migratórias essenciais. A manutenção de uma infraestrutura inútil representava um custo ecológico que a Estônia decidiu não mais pagar.

Leia também: Por que falta um pedaço do Coliseu? A história de séculos de saques, terremotos e reaproveitamento de pedras

Quais foram os desafios de engenharia na demolição?

A operação exigiu o desmonte cuidadoso de uma parede de 151 metros de largura e quatro metros de altura, uma tarefa que demandou precisão técnica absoluta. Além da barragem principal de Sindi, o projeto envolveu a remoção estratégica de aproximadamente outras dez barreiras menores a montante.

Abaixo, os dados técnicos que demonstram a escala da intervenção realizada no local:

Característica Situação Anterior (1975-2018) Situação Atual (Pós-Remoção)
Fluxo da Água Bloqueado por concreto Livre e contínuo
Conectividade Segmentada e isolada 3.000 km reconectados
Função Abastecimento industrial (Inativo) Habitat natural restaurado

No vídeo a seguir, o canal Dam Removal Europe, com mais  de 1 mil inscritos, mostra um pouco do processo de remoção dessa importante barragem:

O que muda com o retorno da vida aquática?

A resposta biológica foi quase imediata, com peixes migratórios sendo avistados subindo o rio pouco tempo após a liberação do fluxo. O salmão, que encontrava um muro impenetrável, agora tem acesso a locais de desova que estavam inalcançáveis há cinquenta anos.

Esta restauração hidrológica gera benefícios em cadeia para todo o ecossistema da região:

  • Recuperação de Habitats: Áreas de corredeiras, essenciais para a oxigenação da água, foram restauradas.

  • Biodiversidade: Retorno de espécies de peixes sensíveis que dependem de águas correntes e limpas.

  • Sedimentos: O transporte natural de areia e nutrientes volta a nutrir as margens e o delta do rio.

🐟 O que muda com o retorno da vida aquática

Impactos imediatos na biodiversidade e na dinâmica fluvial

🦈 Migração e desova

Resposta biológica

Peixes migratórios subindo o rio após a liberação do fluxo

Exemplo prático

O salmão acessa locais de reprodução antes inalcançáveis

🌿 Benefícios ao ecossistema

Recuperação de habitats

Restauração de corredeiras e oxigenação da água

Sedimentos

Transporte natural de areia e nutrientes para o delta

Qual é a dimensão do impacto no território nacional?

A liberação da bacia do rio Pärnu impacta diretamente uma área que corresponde a 20% de todo o território da Estônia. Trata-se de um dos maiores projetos de restauração fluvial já executados na Europa, servindo de modelo para outras nações.

O sucesso da obra prova que é possível reverter danos ambientais históricos com vontade política e engenharia avançada. A natureza, quando livre das amarras de concreto obsoleto, possui uma capacidade extraordinária de regeneração rápida e vigorosa.

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