Sob o asfalto de Pequim existe a Dixia Cheng, uma cidade subterrânea e fortaleza colossal escavada manualmente. Iniciada em 1969 por ordem de Mao Tsé-Tung, a estrutura foi desenhada para proteger seis milhões de habitantes contra a ameaça iminente de um ataque nuclear.
A engenharia manual desafiou os limites da construção civil
Mais de trezentos mil cidadãos participaram da escavação, utilizando ferramentas rudimentares como pás e cestos de bambu para remover a terra. O esforço coletivo resultou em uma malha de túneis de trinta quilômetros, situada entre oito e dezoito metros de profundidade.
A rede abrange uma área de 85 quilômetros quadrados e conecta pontos nevrálgicos da superfície. As passagens ligam estrategicamente a Praça da Paz Celestial (Tiananmen) a distritos governamentais e estações de trem, permitindo a evacuação rápida da elite e do povo.
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Como a vida urbana seria replicada no subsolo
O complexo não era apenas um esconderijo, mas uma cidade funcional pronta para operar por meses. O projeto incluiu hospitais, escolas, fábricas e até uma pista de patinação, garantindo que a sociedade continuasse ativa mesmo sob bombardeio.
Para assegurar a sobrevivência biológica, engenheiros instalaram mais de 2.300 dutos de ventilação e perfuraram setenta poços artesianos exclusivos. Áreas foram reservadas para cultivos agrícolas experimentais sem luz solar, visando a autossuficiência alimentar.
O destino da fortaleza após o fim da Guerra Fria
Com o relaxamento das tensões geopolíticas, a função militar da Dixia Cheng tornou-se obsoleta. Durante décadas, os túneis serviram como moradia barata para trabalhadores migrantes, conhecidos localmente como a Tribo dos Ratos, antes de o governo restringir o uso habitacional em 2010.
Atualmente, a maior parte do complexo está fechada para o público ou utilizada como depósitos privados. Apenas pequenos trechos operaram brevemente como atrações turísticas, servindo hoje mais como uma lenda urbana do que um destino visitável na China.
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Detalhes técnicos da proteção contra desastres
A profundidade da escavação utiliza a própria terra como escudo primário contra a radiação e ondas de choque. O sistema de defesa foi complementado por comportas pesadas projetadas para isolar setores inteiros em caso de invasão por gases tóxicos ou inundações.
A redundância era a chave do projeto. Cada setor possuía geradores independentes e estoques de grãos, garantindo que a falha em uma seção da cidade subterrânea não comprometesse a integridade do restante da população abrigada.

