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O fenômeno na Europa que está redesenhando o mapa da água e trazendo o salmão de volta

Laila Por Laila
20/01/2026
Em ÚLTIMAS NOTÍCIAS

A Europa atingiu um marco histórico na gestão hídrica com a remoção de barragens em ritmo recorde, devolvendo a vida a quase 3.000 km de rios que estavam sufocados há décadas. Em um movimento inédito, 23 países derrubaram 542 barreiras apenas em 2024 para recuperar ecossistemas, trazer peixes migratórios de volta e aumentar a segurança contra enchentes.

Por que a Europa decidiu derrubar 542 barreiras em um único ano?

Os dados de 2024 revelam uma aceleração impressionante na gestão ambiental europeia. O volume de demolições representa um salto de 11% em comparação ao ano anterior, sinalizando que a renaturalização deixou de ser um nicho ecológico para virar política de estado.

Países que antes estavam fora desse mapa, como Bósnia e Herzegovina, Croácia, Turquia e a República Tcheca, removeram oficialmente suas primeiras barreiras. O objetivo é claro: eliminar estruturas que já não cumprem função econômica (como geração de energia ou irrigação) mas continuam gerando um custo ecológico altíssimo, fragmentando habitats e alterando a qualidade da água.

A liderança desse movimento ficou com a Finlândia, que sozinha removeu 138 barreiras, seguida de perto pela França. Esses números mostram uma mudança de mentalidade onde a “saúde do rio” passa a ser vista como um ativo de segurança contra eventos climáticos extremos.

Países que antes estavam fora desse mapa, como Bósnia e Herzegovina, Croácia, Turquia e a República Tcheca, removeram oficialmente suas primeiras barreiras

O retorno do salmão: qual o impacto biológico real?

Quando um rio é libertado do concreto, a resposta da natureza é quase imediata. A reconexão dos cursos d’água reabre rotas migratórias ancestrais essenciais para peixes que viajam da nascente ao mar.

Espécies como o salmão e o esturjão dependem dessa liberdade para alcançar áreas de desova. Sem as barragens, os sedimentos voltam a circular, nutrindo estuários e zonas úmidas costeiras que funcionam como berçários de vida marinha e sumidouros de carbono.

Para visualizar como essa estratégia funciona na prática e os resultados obtidos em diferentes regiões, analise os dados específicos abaixo:

Localização Ação Realizada Impacto no Ecossistema
Apeninos (Itália) Remoção de 5 barreiras no Rio Giovenco 11 km de fluxo livre reconectados após décadas
Delta do Oder (Polônia) Demolição de 2 barragens no Rio Ina Potencial de reprodução ampliado em 20 km de rio
Finlândia Remoção de 138 estruturas (Recorde) Restauração massiva de rotas migratórias

Como a remoção de concreto ajuda a combater enchentes?

Pode parecer contraditório, mas retirar barreiras artificiais obsoletas muitas vezes aumenta a segurança das populações ribeirinhas. Rios canalizados e bloqueados perdem sua capacidade natural de “amortecer” o volume de água.

Ao restaurar o fluxo livre e reconectar as várzeas naturais (planícies de inundação), o rio ganha espaço para se expandir e absorver o excesso durante chuvas fortes. Em tempos de mudanças climáticas e extremos meteorológicos, essa resiliência natural torna-se, em muitos casos, uma ferramenta de defesa civil mais eficiente e barata que novas obras de contenção.

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A meta ambiciosa de 25.000 km até 2030 é viável?

O recorde de 2024 é apenas o começo de um plano muito maior. A Europa estabeleceu a meta de libertar pelo menos 25.000 quilômetros de rios até 2030, consolidando a remoção de barragens como a ferramenta central para a restauração da biodiversidade continental.

Esse “novo mapa da água” não busca apenas o retorno romântico da natureza selvagem, mas a construção de sistemas hídricos funcionais. A lógica é que rios saudáveis purificam a água naturalmente e sustentam economias locais de forma mais perene do que estruturas obsoletas mantidas artificialmente.

O futuro da água exige escolhas corajosas

O movimento europeu ensina que a verdadeira evolução da infraestrutura pode estar na capacidade de reconhecer quando uma obra cumpriu seu ciclo. Ao trocar concreto velho por rios vivos, o continente não está apenas salvando peixes, mas garantindo que suas bacias hidrográficas tenham força e flexibilidade para suportar os desafios climáticos das próximas décadas.

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