Projetada durante o regime militar como um símbolo da conquista da Amazônia, a rodovia Transamazônica (BR-230) é hoje um retrato do abandono. Dos mais de 4.000 km de seu traçado principal, cerca de 1.750 km ainda não são pavimentados, transformando-se em lamaçais intransitáveis durante seis meses do ano.
Qual o estado atual da Transamazônica?
A rodovia que deveria integrar o “Brasil profundo” é, na maior parte de sua extensão, um desafio de sobrevivência. Os trechos de terra, especialmente entre o Pará e o Amazonas, se deterioram completamente durante o “inverno amazônico” (período de chuvas).

Caminhões ficam atolados por semanas, pontes de madeira improvisadas cedem e comunidades inteiras ficam isoladas. O que foi projetado para ser uma via de desenvolvimento se tornou uma barreira para a economia e a dignidade de quem vive na região.
Os desafios da travessia:
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Atoleiros: Trechos de lama que “engolem” veículos.
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Pontes Precárias: Estruturas de madeira que não suportam o peso.
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Isolamento: Falta de sinal de celular e pontos de apoio por centenas de quilômetros.
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Insegurança: Risco de assaltos em trechos de parada forçada.
Por que a obra nunca foi concluída?
A Transamazônica foi um projeto faraônico, iniciado sem um planejamento ambiental e logístico adequado. Os custos de pavimentação e manutenção na floresta amazônica são altíssimos, e ao longo das décadas, a obra foi marcada por descontinuidade de investimentos e desafios de engenharia.
Para você entender por que a Transamazônica nunca foi concluída, selecionamos o conteúdo do canal Horizon Geo. No vídeo a seguir, o especialista detalha visualmente a trajetória da BR-230, explicando os desafios de construir no meio da floresta amazônica e os altos custos que impediram a finalização do projeto original até Benjamin Constant:
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) segue trabalhando em lotes de pavimentação, mas em um ritmo lento que não acompanha a degradação da via. O sonho de cruzar a Amazônia de ponta a ponta por asfalto ainda parece distante.
Qual o impacto do abandono para a população local?
O impacto é devastador. O custo do frete para levar alimentos e combustíveis para as cidades ao longo da rodovia dispara na época da chuva. O escoamento da produção agrícola, como a soja e o cacau, fica comprometido, gerando prejuízos bilionários.
Além da economia, o acesso a serviços básicos como saúde e educação é severamente prejudicado. Uma viagem que levaria horas se transforma em uma jornada de dias. A situação da rodovia é um entrave direto ao desenvolvimento humano da região, como mostram os indicadores sociais do IBGE Cidades.
O projeto original vs. a realidade:
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Projeto: 8.000 km de extensão total (incluindo ramais).
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Realidade: Traçado principal de ~4.200 km com grandes trechos de terra.
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Promessa: Integração e desenvolvimento.
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Resultado: Isolamento e entrave econômico.
Existe esperança de conclusão?
A conclusão da pavimentação da Transamazônica é uma promessa política recorrente. Recentemente, novos investimentos foram anunciados, mas a população local permanece cética, acostumada a um ciclo de obras que começam e não terminam.
A rodovia é um exemplo extremo dos desafios de infraestrutura no Brasil.
| Trecho | Estado Atual | Principal Desafio |
| Leste (Paraíba/Ceará) | Totalmente pavimentado. | Tráfego intenso. |
| Central (Pará/Amazonas) | Majoritariamente não pavimentado. | Lamaçais e isolamento. |
| Oeste (Amazonas) | Trechos isolados e intransitáveis. | Logística e custo. |

