Contrariando a intuição, o ouro não “nasce” na Terra; ele é um imigrante estelar. A ciência explica que todo átomo de ouro em nosso planeta foi forjado no espaço por eventos cósmicos cataclísmicos. Entender como nasce o ouro é fazer uma viagem de bilhões de anos, das estrelas ao centro da Terra.
Se não é da Terra, de onde veio todo o ouro?
O ouro, assim como outros elementos pesados, foi criado na colisão de estrelas de nêutrons. Esses eventos são tão violentos que funcionam como uma forja cósmica, fundindo partículas atômicas para criar os metais mais preciosos do universo através do chamado processo r.

Essa poeira de ouro e outros elementos ficou vagando pelo espaço e, eventualmente, se agregou à nuvem de gás que formou nosso sistema solar e o planeta Terra há 4,5 bilhões de anos. O estudo desses fenômenos é uma das áreas de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no Brasil.
Eventos cósmicos que criam elementos:
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Fusão em Estrelas: Cria elementos leves como hélio e carbono.
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Supernovas: Criam elementos médios como ferro.
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Colisão de Estrelas de Nêutrons: Criam os mais pesados, como ouro e platina.
Como esse ouro espacial chegou até o nosso planeta?
O ouro já estava presente na formação da Terra, mas há um detalhe crucial: quando o nosso planeta era uma bola de magma incandescente, os elementos mais pesados, como o ferro e o ouro, afundaram em direção ao centro devido à sua densidade.
Para mergulhar em fatos fascinantes sobre o nosso planeta e o universo, selecionamos o conteúdo do canal Séries do Incrível, que conta com mais de 16 milhões de inscritos. No vídeo a seguir, os especialistas detalham visualmente a origem do ouro na Terra e outras curiosidades científicas que desafiam a nossa imaginação:
A imensa maioria do ouro original da Terra está inacessível em seu núcleo. O ouro que mineramos hoje, na crosta terrestre, veio de um “segundo delivery”: um intenso bombardeio de meteoros e asteroides ricos em metais que atingiu o planeta após a solidificação da sua superfície.
Por que o ouro é tão raro na superfície terrestre?
Como a maior parte do ouro afundou para o núcleo, o que restou na crosta é apenas a “poeira” trazida por esses impactos tardios. Por isso, ele é um dos elementos mais raros e não se distribui de forma homogênea, concentrando-se em veios.
Esses veios de quartzo aurífero foram formados pela ação de água superaquecida que dissolveu e concentrou o ouro disperso na rocha, depositando-o em fraturas. É a busca por esses veios que move a mineração há milênios.
Camadas da Terra e o destino do ouro:
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Núcleo: Onde está a grande maioria do ouro original.
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Manto: Camada intermediária com pouquíssima concentração.
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Crosta: Onde mineramos o ouro trazido por meteoros.
O que isso significa para a mineração hoje?
A mineração de ouro é, essencialmente, a caça a esses depósitos de origem extraterrestre, concentrados pela geologia do planeta ao longo de eras. O mapeamento dessas áreas é uma ciência complexa, realizada por instituições como o Serviço Geológico do Brasil (CPRM).
Entender a origem cósmica do ouro nos dá uma perspectiva da sua finitude e do quão precioso ele realmente é. Cada anel ou moeda de ouro é um pequeno fragmento de uma estrela morta há bilhões de anos.
| Evento | Ocorrência | Papel na História do Ouro |
| Colisão de Estrelas | Bilhões de anos atrás | Criação dos átomos de ouro. |
| Formação da Terra | ~4,5 bilhões de anos | Incorporação do ouro na massa planetária. |
| Diferenciação Planetária | ~4,4 bilhões de anos | Maioria do ouro afunda para o núcleo. |
| Bombardeio de Meteoros | ~4 bilhões de anos | “Entrega” do ouro que hoje mineramos na crosta. |

