O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos após o Banco Central identificar um conjunto de operações financeiras consideradas fictícias, com impacto estimado em mais de R$ 11 bilhões. As investigações apontam para empréstimos sem lastro econômico e para a reavaliação indevida de ativos ilíquidos dentro de fundos ligados à estrutura do banco.
Segundo o economista VanDyck Silveira, o padrão das operações indica problemas profundos de governança financeira. Ele cita como exemplo a compra de títulos do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), adquiridos por cerca de R$ 100 milhões e posteriormente reavaliados por valores bilionários dentro do balanço da instituição.
“São ativos sem liquidez que passaram de uma mão para outra dentro da mesma estrutura e, de repente, entram no balanço com valores completamente dissociados da realidade econômica”, afirmou.
Caso do Banco Master revela problema na gestão
Para Silveira, esse tipo de prática revela ou uma ingenuidade extrema da gestão ou a crença de que relações políticas seriam suficientes para evitar questionamentos regulatórios.
“Ou acreditaram que o Banco Central não entenderia a natureza da fraude, ou confiaram que relações com figuras poderosas impediriam qualquer consequência.”
Na avaliação do economista, a atuação do Banco Central no caso reforça a independência técnica da autoridade monetária. Segundo ele, a identificação das irregularidades foi direta e levou à decisão de liquidação do banco, conforme os protocolos de regulação bancária.
“O processo foi conduzido de forma técnica e objetiva. A liquidação segue exatamente o que está previsto na cartilha do Banco Central.”
Disputa institucional expõe limites de atuação
Apesar disso, o caso passou a gerar tensão institucional após movimentações envolvendo outros órgãos, como o Tribunal de Contas da União (TCU). Para Silveira, esse tipo de intervenção não encontra respaldo legal.
“Não existe base jurídica para o TCU interferir em decisões do Banco Central nesse tipo de processo. Isso deveria ser tratado no Congresso ou no Supremo.”
Risco jurídico e conflitos de interesse no Judiciário
Além das fraudes financeiras, o episódio avançou para uma camada institucional mais sensível com a revelação de possíveis conflitos de interesse envolvendo familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal e estruturas ligadas ao Banco Master.
“A partir desse ponto, o problema deixa de ser apenas financeiro e passa a ser jurídico e institucional”, afirmou.
Segundo Silveira, a manutenção de autoridades potencialmente envolvidas no julgamento compromete a credibilidade do processo e amplia o risco jurídico do país.
“Em qualquer país sério, haveria afastamento cautelar até o esclarecimento dos fatos. Sem isso, a confiança institucional fica profundamente abalada.”













