Projetado originalmente para resolver um problema prático de circulação entre dois níveis de cidade, o Elevador Lacerda acabou se tornando um dos principais ícones urbanos do Brasil. Localizado em Salvador, ele liga diariamente a Cidade Alta à Cidade Baixa, vencendo um desnível de cerca de 72 metros em poucos segundos e revelando a evolução da engenharia de transportes verticais no país, desde o século XIX até as soluções tecnológicas atuais.
Como surgiu o Elevador Lacerda em Salvador?
A concepção do equipamento remonta a 1869, quando o engenheiro e empresário Antônio de Lacerda idealizou uma ligação rápida e contínua entre áreas que concentravam comércio, serviços e administração pública. Após quatro anos de obras, o sistema entrou em operação em 8 de dezembro de 1873, como um meio de transporte urbano vertical público e de grande porte, em pleno Brasil imperial.

Por que o Elevador Lacerda foi a solução para o desnível da cidade?
Salvador se desenvolveu em dois patamares, separados por uma encosta íngreme que dificultava a circulação de pessoas e mercadorias entre Cidade Alta e Cidade Baixa. A proposta de Antônio de Lacerda foi implantar um sistema de transporte vertical capaz de operar de forma contínua, com segurança, suportando alto fluxo em uma distância equivalente a um prédio de cerca de 20 andares.
No projeto original, as cabines eram movidas por um sistema hidráulico com pistões e bombas d’água, alinhado às tecnologias disponíveis no século XIX. O cálculo estrutural e o dimensionamento dos componentes foram pensados para uso intensivo, o que diferenciou o Elevador Lacerda de outros elevadores urbanos experimentais existentes no período em outras partes do mundo.
Quais materiais e sistemas foram usados na construção?
Um dos pontos mais comentados por estudiosos de engenharia é o uso de estrutura metálica em uma época em que obras de grande porte no Brasil eram, em geral, de alvenaria. O esqueleto do Elevador Lacerda foi montado com aço importado da Inglaterra, transportado por navio até o porto de Salvador e instalado entre a Praça Municipal e o bairro do Comércio, exigindo logística cuidadosa.
Com o avanço tecnológico, o sistema original foi sendo atualizado: em 1906, o mecanismo hidráulico foi substituído por motores elétricos; em 1930, a torre ganhou revestimento em concreto armado e traços Art Déco. Apesar do novo envoltório em concreto, o interior manteve a essência metálica original, preservando o caráter pioneiro da obra.
Quais são os principais dados técnico

s do Elevador Lacerda?
Do ponto de vista operacional, o Elevador Lacerda funciona hoje com quatro cabines, capazes de transportar juntas até 128 pessoas por viagem em cerca de 30 segundos. Esses parâmetros ajudam a entender por que o equipamento é considerado um marco da engenharia de transporte urbano de massa em ambiente vertical e exigem sistemas atualizados de segurança.
Os números a seguir sintetizam as principais características técnicas do funcionamento atual do elevador, incluindo capacidade de usuários, tempo de trajeto e volume diário de passageiros transportados entre os dois níveis da cidade:
- Altura aproximada: 72 metros;
- Número de cabines: 4 unidades em operação;
- Tempo médio de trajeto: cerca de 30 segundos;
- Capacidade por cabine: aproximadamente 32 passageiros;
- Fluxo diário estimado: mais de 28 mil pessoas por dia.
Quais modernizações e impactos urbanos marcam o legado do elevador?
Ao longo de mais de 150 anos de existência, o Elevador Lacerda passou por fases de atualização que garantiram sua continuidade, como a eletrificação de 1906, a reforma arquitetônica de 1930, requalificações técnicas nos anos 2000 e a modernização elétrica de 2019. Em 2006, passou a integrar o conjunto de bens protegidos pelo IPHAN, o que exige conciliar melhorias técnicas com preservação histórica.
Desde sua inauguração, o Elevador Lacerda impactou diretamente a organização do espaço urbano de Salvador, favorecendo o comércio, o deslocamento de trabalhadores e a conexão entre áreas administrativas e zonas portuárias. A solução vertical influenciou outros projetos na América Latina e permanece, em 2025, como sistema de mobilidade ativo e registro vivo da história da engenharia de transportes urbanos no Brasil.

