A partir desta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, entra oficialmente em vigor o novo valor do salário mínimo nacional. O piso, que serve de referência para a remuneração de milhões de brasileiros e para o pagamento de benefícios previdenciários, passou de R$ 1.518,00 para R$ 1.621,00. O reajuste de 6,8% representa um acréscimo de R$ 103,00 em relação ao ano anterior e reflete a política de valorização que busca garantir ganhos acima da inflação para o trabalhador.
Como o novo valor foi calculado?
O aumento não foi arbitrário. Ele segue uma regra de cálculo retomada pelo governo federal que soma dois indicadores econômicos para definir o percentual de reajuste:
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A inflação: Medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro de 2025.
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O crescimento da economia: O avanço do Produto Interno Bruto (PIB) consolidado de dois anos antes (2024).
No entanto, devido às regras do novo arcabouço fiscal (teto de gastos), o ganho real proveniente do crescimento do PIB ficou limitado ao teto de 2,5%. Mesmo com essa limitação, o método garante que o poder de compra do salário não seja apenas mantido, mas ampliado, diferenciando-se de políticas anteriores que apenas repunham as perdas inflacionárias.

Impacto bilionário na economia
O reajuste do salário mínimo tem um efeito cascata na economia brasileira. Segundo estimativas do governo, o novo valor deve injetar cerca de R$ 81,7 bilhões no mercado ao longo de 2026, impulsionando o consumo das famílias.
O aumento beneficia diretamente cerca de 62 milhões de pessoas, grupo que inclui trabalhadores com carteira assinada que ganham o piso, aposentados, pensionistas do INSS e beneficiários de programas sociais vinculados ao salário mínimo.
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O que muda na vida do cidadão?
Com a atualização do piso nacional, diversos valores atrelados a ele sofrem reajuste automático a partir de hoje:
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Aposentadorias do INSS: O valor mínimo dos benefícios previdenciários sobe para R$ 1.621,00. O pagamento com o valor reajustado começa a ser feito na folha de janeiro (paga entre o fim deste mês e início de fevereiro).
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Abono Salarial (PIS/Pasep): O teto do abono passa a ser de R$ 1.621,00 para quem trabalhou os 12 meses do ano-base.
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Seguro-Desemprego: A parcela mínima paga ao trabalhador demitido não pode ser inferior ao novo piso.
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Contribuição do MEI: O boleto mensal (DAS) do Microempreendedor Individual ficará mais caro, pois é calculado com base em 5% do salário mínimo vigente.

Ainda longe do ideal
Apesar do aumento real, o salário mínimo brasileiro continua distante de suprir todas as necessidades básicas previstas na Constituição Federal, como alimentação, moradia, saúde, educação e lazer.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o “salário mínimo ideal” para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser superior a R$ 7.000,00. Ou seja, o novo valor de R$ 1.621,00 corresponde a menos de um quarto do que seria necessário para garantir uma vida digna, segundo os parâmetros da instituição.

