Se sofre com a sensação de pernas cansadas ao final do dia, o chá verde para circulação pode ser uma intervenção vascular mais potente do que imagina. Longe de ser apenas uma bebida para emagrecer, esta infusão milenar atua diretamente na saúde do endotélio (a parede interna dos vasos), promovendo uma “limpeza” inflamatória que facilita o fluxo sanguíneo e combate o inchaço associado à má circulação periférica.
Como o chá verde “destrava” a passagem do sangue?
O segredo vascular do chá verde reside numa catequina específica chamada EGCG (epigalocatequina-galato). Estudos publicados em revistas de cardiologia, como o Journal of the American College of Cardiology, mostram que este composto tem a capacidade de reverter a disfunção endotelial quase imediatamente após o consumo.
Basicamente, o EGCG estimula a produção de óxido nítrico, uma molécula gasosa que sinaliza às artérias e veias para relaxarem e dilatarem. Vasos mais relaxados significam que o sangue encontra menos resistência para circular, aliviando a pressão nas extremidades inferiores e facilitando o retorno venoso contra a gravidade.Créditos: depositphotos.com / VadimVasenin

Por que ele reduz a sensação de “chumbo” nas pernas?
A sensação de peso e cansaço é muitas vezes um sintoma de inflamação silenciosa e retenção de líquidos nos tecidos (edema). A Harvard Health Publishing destaca que os polifenóis do chá verde são anti-inflamatórios potentes que protegem as estruturas vasculares contra o stress oxidativo.
Ao reduzir a inflamação sistémica, o chá ajuda a diminuir a permeabilidade capilar — ou seja, impede que o líquido “vaze” dos vasos para os tecidos das pernas, combatendo o inchaço na raiz. Menos líquido retido significa pernas mais leves e ágeis.
Qual é o erro comum que anula os efeitos medicinais?
Para obter os benefícios circulatórios, a temperatura da água é crítica. Deitar água a ferver sobre as folhas “queima” as catequinas delicadas, tornando o chá amargo e terapeuticamente inútil.
Siga este protocolo para a chávena perfeita:
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Temperatura: A água deve estar a 80°C (quando começam a surgir as primeiras bolhinhas no fundo da chaleira, antes de ferver).
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Tempo: Deixe em infusão por apenas 3 minutos. Mais tempo liberta demasiados taninos, que podem impedir a absorção de ferro.
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Quantidade: Use 1 colher de chá de folhas soltas (prefira as folhas aos saquetas de pó) para uma chávena.
O chá verde substitui as meias de compressão?
Não, ele atua como um coadjuvante bioquímico, enquanto as meias oferecem suporte mecânico. Para quem tem insuficiência venosa crónica ou varizes visíveis, o chá verde funciona como um protetor das paredes das veias, evitando que o problema avance rapidamente.
A combinação ideal envolve o consumo regular do chá (2 chávenas por dia) aliado a movimento físico e elevação das pernas. O chá melhora a qualidade do “tubo” por onde o sangue passa, mas o movimento muscular continua a ser a “bomba” necessária para empurrar o sangue de volta ao coração.
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Quem deve evitar o consumo diário?
Apesar de natural, o chá verde é uma “droga” vegetal potente e tem contraindicações sérias. O excesso pode ser tóxico para o fígado (hepatotoxicidade), especialmente se tomado em jejum ou em forma de cápsulas concentradas.
Atenção redobrada para estes grupos:
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Hipertensos sensíveis: A cafeína pode elevar a tensão arterial momentaneamente.
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Grávidas: O chá interfere na absorção de ácido fólico, vital para o bebé.
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Pessoas com anemia: Os taninos bloqueiam a absorção do ferro da alimentação; beba longe das refeições.
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Gastrite: Pode aumentar a acidez estomacal se consumido de estômago vazio.

