A quinta-feira (13) começa com os mercados globais reagindo ao acordo que encerra o shutdown mais longo da história dos Estados Unidos. Apesar do alívio político, o Federal Reserve permanece com visibilidade reduzida, já que a paralisação interrompeu a divulgação de dados essenciais para a condução da política monetária, incluindo emprego, inflação, crédito e atividade. Essa lacuna deve manter o banco central norte-americano em postura mais cautelosa nas próximas semanas.
No Brasil, os investidores acompanham a repercussão da fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que reduz a probabilidade de um corte da Selic em janeiro e reforça a estratégia de perseguir a meta cheia de inflação. A agenda também é marcada por uma série de balanços corporativos de grandes companhias brasileiras, com destaque para Banco do Brasil, Banco Inter, Localiza, Nubank e JBS.
O dia ainda é influenciado pela divulgação da nova pesquisa Quaest, que atualiza o xadrez eleitoral de 2026.
Estados Unidos: fim do shutdown traz alívio, mas Fed segue sem bússola
O encerramento do shutdown norte-americano deve concentrar parte da atenção do mercado. Apesar de evitar prejuízos maiores à economia, o Fed encara um desafio imediato: a ausência de dados macroeconômicos produzidos durante o período de paralisação. Sem indicadores completos, a autoridade monetária permanece “no escuro” para calibrar a trajetória dos juros.
Economistas avaliam que o impacto direto sobre o PIB deve ser limitado, mas o vácuo informacional pressiona a tomada de decisão. O foco nas próximas semanas estará na reposição dos relatórios atrasados e na comunicação dos dirigentes do Fed sobre o ritmo da política monetária.
Galípolo reduz expectativa de corte e reforça meta cheia de inflação
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, negou nesta quarta-feira (12) que a instituição tenha dado “qualquer sinal” sobre a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Na reunião da semana passada, o colegiado manteve a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.
Galípolo reforçou que a instituição não antecipa decisões e baseia suas ações em fatos e dados. “Se você entendeu que alguma questão da nossa comunicação foi um sinal sobre o que o Banco Central pode vir a fazer no futuro, você entendeu errado”, afirmou o presidente a jornalistas.
Segundo ele, a condução da política monetária segue fundamentada em evidências concretas. “Toda a comunicação e toda ação do BC têm sido apoiadas em questões factuais, e todas as nossas reações têm sido dependentes de dados”, disse.
Galípolo também destacou a clareza do papel institucional do Banco Central. “Todo mundo pode brigar com o Banco Central. O Banco Central não pode brigar com dados. De todas as instituições que existem, o BC é o único que tem o objetivo mais claro de todos. Nós temos uma meta”, concluiu.
Balanços corporativos movimentam o pregão
A agenda corporativa desta quinta-feira é dominada pela repercussão da divulgação dos números do Banco do Brasil (BBAS3), que tende a ser o principal ponto de atenção do dia.
O Banco do Brasil (BBAS3) apresentou um 3º trimestre de 2025 abaixo das expectativas, com resultado antes de impostos (EBT) 11% inferior ao projetado. O desempenho foi afetado principalmente por maiores provisões para perdas de crédito, concentradas no segmento rural, que segue sob impacto de atrasos em renegociações e condições de mercado mais adversas.
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Pesquisa Quaest atualiza disputa eleitoral de 2026
A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quinta-feira (13), atualiza os cenários para a eleição presidencial de 2026 e movimenta o ambiente político.
Primeiro turno
A pesquisa aponta o presidente Lula (PT) liderando todos os cenários simulados:
- Lula aparece entre 31% e 39% das intenções de voto;
- O cenário mais competitivo ocorre contra o inelegível Jair Bolsonaro (PL), com diferença reduzida para cinco pontos;
- Entre os candidatos aptos, o adversário mais forte é Eduardo Bolsonaro (PL), que surge 12 pontos atrás do petista.
Segundo turno
Os cenários de segundo turno monitorados pela Quaest indicam vantagem do presidente contra todos os adversários aptos:
- Lula x Renan Santos (Missão): vantagem de 17 pontos;
- Lula x Eduardo Leite (PSD): diferença superior a dez pontos;
- Lula x Eduardo Bolsonaro (PL): margem confortável;
- Lula x Jair Bolsonaro: empate técnico — apesar de o ex-presidente estar inelegível.
A pesquisa mostra estabilidade da rejeição de Lula e dos principais concorrentes, com variações dentro da margem de erro. Eduardo Bolsonaro permanece como o nome com maior rejeição: 67% dos eleitores afirmam que não votariam nele sob hipótese alguma.
Dia intenso mantém mercado em compasso de espera
Com o fim do shutdown nos EUA, a comunicação do Banco Central brasileiro e a forte temporada de balanços, o mercado inicia a quinta-feira em clima de cautela. Investidores buscam mais clareza sobre os próximos passos do Fed, a trajetória da Selic no início de 2026 e o impacto dos resultados corporativos na Bolsa.
A repercussão da pesquisa Quaest e do noticiário político deve acrescentar volatilidade ao longo do dia, mantendo os ativos domésticos sensíveis a qualquer surpresa.

