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Governo avalia alternativas para arrecadação após queda da MP do IOF

Redação BM&C News Por Redação BM&C News
09/10/2025
Em ECONOMIA, Entrevista, Exclusivas, Exclusivo, NACIONAL, POLÍTICA

A derrubada da Medida Provisória 1.303, conhecida como “MP do IOF” ou “MP taxa-tudo”, abriu um novo desafio para o governo federal. A proposta, que previa o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras para compensar gastos com isenções e programas sociais, representava uma arrecadação adicional estimada em cerca de R$ 20 bilhões. Com a decisão da Câmara dos Deputados, o governo perdeu uma das principais fontes de receita previstas no orçamento e agora busca caminhos alternativos para recompor o caixa e tentar manter as metas fiscais em meio a um cenário de tensão política e econômica.

A derrota expôs, mais uma vez, a dificuldade de articulação do Executivo com o Congresso. Sem apoio sólido nem entre os aliados, o governo viu ruir uma proposta considerada essencial para sustentar medidas populares, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Diante da rejeição, o Ministério da Fazenda tenta redesenhar sua estratégia de arrecadação, enquanto o Palácio do Planalto lida com o desgaste político da derrota e as pressões por cortes de gastos.

Além da arrecadação: o que estava em jogo com a MP do IOF?

A MP previa um aumento temporário do IOF sobre diversas operações financeiras, com o objetivo de gerar receitas imediatas e equilibrar o impacto das renúncias tributárias. O ministro Fernando Haddad tratava o texto como uma medida emergencial para viabilizar promessas de campanha e ajustar o orçamento sem recorrer a novas dívidas. No entanto, a proposta enfrentou forte resistência de parlamentares, que a classificaram como um “pacote arrecadatório” disfarçado e de efeito regressivo sobre o consumo e o crédito.

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Para o economista VanDyck Silveira, o episódio evidencia a desorganização do governo e sua dificuldade em negociar com o Legislativo. “O governo é totalmente incapaz de articular no Congresso Nacional. Perdeu a MP porque não conversou, não planejou e tentou empurrar o texto de cima para baixo”, afirmou. Segundo ele, a estratégia fiscal de curto prazo, baseada em medidas pontuais, mostra que o Executivo segue sem uma política de arrecadação consistente e sem compromisso real com o equilíbrio das contas públicas.

Quais medidas o governo pode adotar para elevar a arrecadação?

Após a derrota, o governo estuda uma série de medidas conjunturais para aumentar a receita. Segundo o analista político e econômico Miguel Daoud, há caminhos possíveis, mas de efeito limitado. “O governo pode reabrir um novo programa de Refis, intensificar investigações de sonegação fiscal em setores específicos e até exigir mais recursos de estatais como Petrobras, BNDES e Banco do Brasil. São medidas que ajudam momentaneamente, mas não resolvem o problema estrutural”, avaliou.

De acordo com Daoud, o problema central é que essas iniciativas não representam uma estratégia de arrecadação permanente. “O mercado não leva muito em consideração essas medidas porque não têm consistência de longo prazo. São soluções paliativas, que funcionam apenas enquanto durarem as condições políticas”, acrescentou. Além disso, parte dessas ações depende de decisões judiciais ou da disposição das estatais em antecipar dividendos, o que reduz a previsibilidade das receitas futuras.

O cenário pós-derrota: bloqueio de emendas e tensão entre poderes

Sem espaço político para aprovar novos tributos, o governo reagiu com a ameaça de bloquear até R$ 10 bilhões em emendas parlamentares. A medida, vista como uma forma de pressão sobre o Congresso, agravou o clima de atrito entre Executivo e Legislativo. Paralelamente, surgiram rumores de que o governo poderia buscar apoio do Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter parte das decisões que inviabilizaram a MP.

VanDyck Silveira avalia que essa estratégia evidencia uma crise institucional em curso. “O governo perdeu no Congresso e agora tenta resolver no Supremo o que não consegue articular politicamente. Isso mostra o enfraquecimento da relação entre os poderes e o uso político das instituições”, disse. Para ele, a tentativa de compensar a perda de arrecadação por meio de manobras judiciais reflete o desarranjo fiscal e a falta de planejamento de longo prazo.

A falta de reforma fiscal estrutural

Para além das medidas emergenciais, os especialistas apontam a ausência de uma reforma fiscal robusta como o principal obstáculo à sustentabilidade das contas públicas. VanDyck Silveira critica o que chama de “orçamentos fictícios” e receitas baseadas em estimativas superdimensionadas. “Enquanto o governo insiste em arrecadar mais sem cortar gastos, o déficit tende a crescer. O Brasil precisa de uma revisão séria das despesas e não de novas alíquotas de impostos”, afirmou.

Miguel Daoud também ressalta que, sem controle sobre o crescimento das despesas obrigatórias, qualquer esforço de arrecadação se tornará insuficiente. “A cada ano o governo depende mais de medidas temporárias. Isso mina a confiança do investidor e afeta a previsibilidade fiscal”, concluiu. Nesse sentido, tanto economistas quanto o mercado veem com ceticismo a capacidade do governo de cumprir as metas fiscais sem recorrer a novas manobras.

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