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Câmara impõe derrota ao governo e deixa MP de tributos caducar

Rafael Lara Por Rafael Lara
09/10/2025
Em ÚLTIMAS NOTÍCIAS

A Câmara dos Deputados impôs uma derrota significativa ao governo federal nesta quarta-feira (8), ao permitir que a Medida Provisória 1.303/25 perdesse a validade. O texto previa o aumento de tributos sobre investimentos e operações financeiras, com o objetivo de reforçar a arrecadação. A decisão representa um novo ponto de tensão entre o governo e o Congresso em torno da política fiscal e da distribuição de encargos tributários.

A MP tinha como foco compensar a revogação de elevações do IOF, ajustando tributos sobre aplicações financeiras e instrumentos de crédito. No entanto, enfrentou resistência no Legislativo e entre agentes do mercado, que consideravam a proposta arriscada e potencialmente prejudicial a setores estratégicos, como o imobiliário, o agronegócio e a infraestrutura.

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Créditos: depositphotos.com / casadaphoto

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Por que o mercado considerou a derrota positiva?

Para o mercado financeiro, a decisão da Câmara foi vista como o melhor cenário possível. Segundo Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, a não aprovação da medida evita distorções em segmentos que desempenham papel importante na economia. “Sobre a MP ter sido derrotada, eu entendo que para o mercado financeiro era um dos melhores cenários, porque a alternativa de aumentar impostos em alguns investimentos poderia criar distorções”, afirmou.

Ele destacou ainda que os incentivos fiscais são essenciais para o financiamento de setores produtivos. “Em alguns momentos, essa MP poderia desincentivar o próprio mercado de incentivados imobiliários, incentivados do agronegócio, debêntures incentivados para infraestrutura. Então, a leitura final provavelmente é de que é melhor continuar como as coisas têm funcionado bem”, completou.

Governo falha em cortar gastos e insiste em arrecadação

Na avaliação de Cruz, a derrota da MP reforça uma tendência já percebida pelos analistas: o governo tem priorizado o aumento de impostos em vez de reduzir despesas. “Em termos de fiscal, eu acredito que o governo se esforça muito mais por temas de arrecadação, de aumentar impostos, do que de corte de gastos — e isso não é novidade para ninguém”, destacou o estrategista.

Além disso, ele lembrou que propostas de contenção de gastos, como a limitação dos supersalários, ficaram paradas ao longo do ano. “Você vê o Supremo dizendo que concorda, a sociedade apoiando, mas não vê um empenho do governo em colocar isso em pauta. O ministro Haddad só chama coletiva de imprensa para pedir mais impostos, e isso cria um desgaste para a imagem dele e do próprio governo”, analisou.

O que aconteceu com as promessas de economia?

Outro ponto de frustração, segundo Cruz, está nas promessas de redução de despesas em programas sociais, que não se concretizaram. “O governo falou em dezembro que havia distorções e que resolveria isso com a biometria, mas a economia de gastos não aconteceu. O BPC está terminando o ano maior do que no ano passado”, observou.

Nesse sentido, ele pontua que há uma diferença clara entre o comportamento fiscal do governo nos dois semestres. “No primeiro semestre, quando o presidente Lula estava em queda, as propostas eram mais comedidas. Agora, com alguma recuperação de popularidade, o discurso de que a meta fiscal pode ser desprezada ficou mais evidente”, concluiu.

Reação de entidades e mensagem política ao governo

Além dos analistas de mercado, representantes do setor produtivo e de entidades liberais comemoraram a decisão do Congresso. Para Rodrigo Marinho, secretário da frente parlamentar pelo Livre Mercado e CEO do Instituto Livre Mercado, o resultado simboliza um recado claro da sociedade. “O Brasil vem sofrendo há tempos com um governo que não entende que o aumento de imposto afeta a todos, ferindo a produtividade e a eficiência de todos os setores da economia. Essa votação é fruto de uma articulação bem feita, conscientização do povo e de muita luta de várias entidades, incluindo a Frente Parlamentar pelo Livre Mercado!”

Marinho reforçou o tom político da mensagem deixada pela derrota da MP. “Esse recado é claro: o povo brasileiro não aceita mais financiar a farra de governos que não têm compromisso com o desenvolvimento econômico e com a população”, completou.

Consequências políticas e fiscais após a derrota

Com a caducidade da MP, o governo perde uma ferramenta importante para o equilíbrio orçamentário de 2026. A equipe econômica deve agora buscar alternativas, como o envio de novos projetos de lei ou medidas provisórias que possam compensar a arrecadação perdida.

  • Reapresentação de propostas: possibilidade de novos textos com ajustes tributários específicos.
  • Negociações com o Congresso: tentativa de recompor apoio e aprovar medidas fiscais alternativas.
  • Pressão política: oposição deve usar a derrota como argumento contra a condução econômica do governo.

Por outro lado, o mercado vê a decisão como um freio necessário a medidas que poderiam prejudicar investimentos produtivos e o ambiente financeiro. Como sintetizou Gustavo Cruz, “é melhor continuar como as coisas têm funcionado bem”.

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