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Dicas para formar equipes e não ficar para trás na era da Inteligência Artificial

Renata Nunes Por Renata Nunes
03/09/2025
Em Empresas, EMPRESAS E NEGÓCIOS, Especial, Exclusivas, Gestão, Inovação, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

O alerta do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que cerca de 40% dos empregos no mundo podem ser impactados pela inteligência artificial reacendeu o debate sobre os rumos da tecnologia. No Brasil, o tema ganha relevância diante da velocidade com que novas ferramentas estão sendo incorporadas ao cotidiano das empresas. Apesar disso, a percepção ainda é limitada, como explica Renato Avelar, sócio e co-CEO da A&EIGHT, consultoria especializada em soluções digitais end-to-end de alta performance.

Segundo o executivo, a maior parte dos empresários brasileiros ainda olha para a Inteligência Artificial apenas como um recurso para cortar custos, seja reduzindo equipes ou renegociando fornecedores. Essa abordagem imediatista, no entanto, ignora o verdadeiro potencial da tecnologia, que é transformar processos, gerar novas formas de atuação e fortalecer a proposta de valor das companhias. “Quem usa Inteligência Artificial apenas para economizar deixa de aproveitar o potencial de transformação e inovação que a tecnologia oferece”, afirma Avelar.

Por outro lado, companhias que enxergam a Inteligência Artificial como motor de inovação conseguem usar a tecnologia para criar novas experiências de consumo, fortalecer a relação com clientes e ampliar a relevância de sua marca. Isso se traduz em competitividade de longo prazo, mesmo em setores pressionados por custos.

IA substitui ou empodera equipes?

Avelar ressalta que a tecnologia não precisa significar desemprego em massa. Pelo contrário, os exemplos mais relevantes são aqueles em que a IA amplia a entrega dos profissionais. “CRMs inteligentes não eliminam o papel do vendedor, mas aumentam sua capacidade de entender o cliente e oferecer soluções personalizadas. Na educação, professores podem usar IA para preparar conteúdos e dedicar mais tempo à qualidade do ensino”, explica.

Esses exemplos mostram que a inteligência artificial pode servir como suporte estratégico, liberando tempo das equipes para atividades de maior valor agregado, como relacionamento e inovação, em vez de simplesmente substituir pessoas.

Setores onde a IA pode gerar ganhos sem desemprego

Alguns segmentos já começam a experimentar o impacto positivo da tecnologia sem a perda massiva de postos de trabalho. Avelar cita três áreas como exemplo:

  • Saúde: uso da IA para interpretar exames, centralizar históricos clínicos e reduzir erros em diagnósticos, além de modelos preditivos que antecipam riscos e permitem tratamentos mais rápidos.
  • Educação: plataformas que criam conteúdos atualizados a partir de fontes oficiais, aplicam modelos de aprendizado adaptativos e usam gamificação para engajar estudantes.
  • Indústria: ferramentas que aceleram pesquisas de produtos, analisam padrões de consumo em tempo real e melhoram o atendimento ao cliente com respostas mais rápidas e precisas.

Essas aplicações, segundo ele, mostram que a IA pode gerar mais qualidade, produtividade e valor agregado sem necessariamente substituir os trabalhadores.

Quais sinais mostram que empresas estão ficando para trás?

O maior indicativo de obsolescência, segundo Avelar, é a adoção restrita da IA apenas para cortes de custos, sem resultados claros em inovação ou experiência do cliente. Outro sinal de alerta é a lentidão nos processos. “Enquanto concorrentes já usam canais digitais integrados à IA e tomam decisões em tempo real, algumas empresas continuam presas a rotinas manuais e demoradas. Nesse cenário, perder relevância é apenas uma questão de tempo”, reforça.

A ausência de integração tecnológica e a falta de métricas claras para medir resultados com IA evidenciam que a companhia ainda não amadureceu sua estratégia digital.

Como preparar líderes para a era da Inteligência Artificial?

Um dos grandes desafios é formar gestores capazes de enxergar a tecnologia como parte central do planejamento estratégico. Para isso, Avelar sugere a criação de playbooks de inovação que envolvam todas as áreas da empresa. “Treinamentos, mentorias e capacitação constante são fundamentais. Os líderes precisam entender na prática o que a IA pode entregar e como aplicar em seus segmentos de negócio”, destaca.

Para diferenciar iniciativas de curto prazo de projetos realmente transformadores, Avelar lista alguns pontos que podem servir como guia para qualquer mercado:

  1. Definir um balanço de desempenho claro para a IA, com metas de produtividade, lucratividade e inovação.
  2. Acompanhar benchmarks em mercados mais maduros e identificar práticas diferenciadas da concorrência.
  3. Garantir capacitação constante da liderança por meio de treinamentos e mentorias.
  4. Focar em projetos que resolvam dores reais do negócio ou do cliente.
  5. Mensurar ROI e payback para assegurar viabilidade no prazo adequado.
  6. Integrar soluções de IA entre as áreas para permitir escala e reaproveitamento.
  7. Buscar iniciativas que contribuam para uma operação mais sustentável e eficiente.

Para o executivo, esse checklist ajuda gestores a separar investimentos pontuais de iniciativas estratégicas, que de fato posicionam a empresa para o futuro.

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Inteligência Artificial como alavanca de diferenciação

Avelar conclui que a inteligência artificial deve ser vista como uma alavanca de diferenciação, não apenas como ferramenta de redução de custos. “Empresas que usam a IA de forma estratégica conseguem gerar inovação, fidelizar clientes e ampliar a relevância no mercado. As que insistirem em uma visão imediatista correm o risco de perder espaço para concorrentes mais preparados”, afirma.

O recado é claro: a IA não é apenas mais uma tendência, mas um divisor de águas para a competitividade das empresas brasileiras. Quem souber utilizá-la como motor de transformação terá mais chances de prosperar em um ambiente de negócios cada vez mais acelerado e exigente.

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