
O Ibovespa começa a semana com problemas. Após ter a sua terceira semana de perda consecutiva, o mercado de ações tem uma expectativa de cair mais.
Às 12h34, o Ibovespa recua 3,11%, aos 107.969,47.
Nos destaques da bolsa estão a Petrobras ON (PETR3) registra baixa de 2,35% (R$ 24,90), enquanto PN (PETR4) perde 2,41% (R$ 24,33). Já o minério de ferro, que recuou hoje 8,80% na China, afeta Vale (VALE3), em baixa de 3,39% (R$ 83,23), assim como as siderúrgicas: Gerdau (GGBR4) -2,97% (R$ 23,87); Metalúrgica Gerdau (GOAU4) -3,40% (R$ 11,09); CSN (CSNA3) -4,09% (R$ 28,58); Usiminas (USIM5) -4,67% (R$ 13,27).
Algumas das poucas ações registram alta, com destaque para o setor elétrico. Copel (CPLE6) lidera as altas do índice, com valorização de 4,52% (R$ 6,93); CPFL (CPFE3) tem ganhos de 0,72% (R$ 28) e Eletrobras PNB (ELET6) +0,37% (R$ 38,34).
Política:
No cenário nacional, os investidores ficam de olho mais uma vez para Brasília, onde o presidente do BC, Roberto Campos Neto, deu a entendeu que a Selic, taxa básica de juros da economia, vai subir um ponto, a 6,25% ao ano, nesta quarta. Além disso, há também o presidente Jair Bolsonaro cumprindo a agenda na Assembleia Geral da ONU, incluindo encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.
No cenário internacional, a queda do minério de ferro junto com o colapso da companhia de construção chinesa Evergrande, fez com que as bolsas em todo o mundo recuasse e assistisse a situação com certo receio.
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Dólar:
O dólar chegou a subir mais de 1% contra o real nesta segunda-feira, acompanhando movimento internacional de busca por segurança em meio a temores sobre o crescimento global e endividamento da gigante chinesa Evergrande, antes ainda das reuniões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil.
Às 10:07, o dólar avançava 0,95%, a 5,3379 reais na venda, depois de tocar 5,3471 reais na máxima do dia, alta de 1,13%. Na B3, o dólar futuro tinha alta de 0,91%, a 5,345 reais.
A pressão compradora vinha em linha com a aversão a risco no exterior, com o dólar subindo cerca de 0,8% contra rand sul-africano e peso mexicano, dois dos principais pares do real. O índice da divisa norte-americana contra seis rivais fortes subia 0,17%, a 93,381, e chegou a tocar uma máxima em quatro semanas.
Os operadores globais têm visto muitos motivos para cautela nas últimas semanas, em meio a sinais de salto da inflação e arrefecimento do crescimento nas maiores economias do mundo, enquanto o risco elevado de default da incorporadora chinesa Evergrande gerava temores de impacto disseminado nos mercados financeiros.
“Estamos amanhecendo com forte queda das bolsas da Europa e (futuros dos) EUA, pressão nas commodities metálicas não preciosas e dólar forte”, escreveu em blog Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos.
“O que estamos observando nos últimos dias são sinais preocupantes de contágio da situação da Evergrande para outras empresas do setor na China. (…) Obviamente que o cenário na China é extremamente desafiador para o Brasil, que ainda precisa lidar com suas peculiaridades locais.”
A semana repleta de reuniões de política monetária também ajudava a manter tom de cautela entre os investidores, disse em nota Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, citando o encontro do Federal Reserve como o destaque da agenda.
O banco central dos Estados Unidos encerra sua reunião de dois dias na quarta-feira, e dados econômicos mistos têm embaçado as perspectivas dos investidores para o futuro do estímulo monetário na maior economia do mundo, embora a maioria espere que um anúncio de corte nas compras de títulos do Fed fique para novembro ou dezembro.
Segundo especialistas, a antecipação desse anúncio tenderia a impulsionar a divisa norte-americana globalmente, uma vez que redução de estímulos sugeriria retorno de dólares para os EUA.
No Brasil, o Banco Central também anuncia na quarta-feira sua decisão de política monetária, e o consenso do mercado é de que a taxa Selic será elevada em 1 ponto percentual, a 6,25% ao ano.
Gomes da Silva relembrou que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, “corrigiu” recentemente as apostas mais agressivas para a alta dos juros, afirmando que a autarquia não vai alterar seu plano de voo a cada dado de alta frequência que sair. Antes dessa fala, de terça-feira passada, parte dos investidores precificava aumento de 1,25% ou até 1,5% no encontro de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom), em meio a crescentes pressões inflacionárias.
O ciclo intenso de aperto monetário do Banco Central — o mais agressivo do mundo no momento — é visto como fator de apoio para a divisa brasileira, uma vez que eleva a rentabilidade do mercado de renda fixa doméstico, mas a inflação cada vez mais pressionada tem gerado temores sobre a manutenção do atual ritmo de alta da Selic.
“O risco é perder o controle sobre as expectativas para a inflação no horizonte relevante e reduzir a eficácia da política monetária”, disseram estrategistas da Genial Investimentos em nota.
O dólar à vista teve alta de 0,42% no último pregão, a 5,2875 reais, máxima desde o último dia 8 (5,3236 reais).
Com Reuters e BDM

