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Segurança pública e economia: o peso do crime organizado no Brasil de hoje

Renata Nunes Por Renata Nunes
04/09/2025
Em ECONOMIA, Entrevista, Exclusivas, NACIONAL

O crime organizado deixou de ser um tema restrito à segurança pública e passou a interferir diretamente na competitividade, na produtividade e no investimento no Brasil. No BM&C Talks, Rodrigo Marinho, diretor executivo do Instituto Livre Mercado e secretário executivo da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, detalhou como facções infiltraram cadeias inteiras da economia, distorcendo preços, lavando recursos e corroendo a concorrência. “Criminosos devem ser presos. O mercado segue”, resumiu, ao defender punição individual sem criminalizar setores inteiros.

Segundo Marinho, a narrativa política que opõe “mercado” e “sociedade” desvia o debate do essencial. Além disso, ele afirma que o foco deve ser “seguir o dinheiro”, fechar brechas regulatórias e integrar órgãos de Estado para desarticular redes que usam empresas de fachada, liminares oportunistas e lacunas de fiscalização para operar com margens artificiais, expulsando concorrentes corretos.

Onde o Estado falhou e como o crime organizado ganhou espaço?

Na avaliação do entrevistado, a falha é difusa e cumulativa. O caso da cadeia de combustíveis ilustra o mecanismo: postos que não cumprem obrigações de mistura e tributárias operam com preços que não fecham pelas margens típicas do setor, cerca de 2%. “Esses postos não misturavam biodiesel, não pagavam tributo. Eles tinham uma margem absurda e foram destruindo o mercado”, disse. A escalada, então, migra para as distribuidoras, onde há mais dinheiro e deveres técnicos e fiscais adicionais, ampliando o ganho ilícito.

Marinho também descreveu o uso do chamado “desembaraço seco” em estados com decisões judiciais permissivas para reduzir ICMS na entrada de combustíveis. Nesse sentido, ele alertou para a captura de partes do Judiciário por corrupção, sem generalizações. “Não estamos dizendo que todo Judiciário ou todo mercado é ruim. Há bandidos no mercado que precisam ser punidos”.

Além dos combustíveis: vape, bebidas, apostas e sistema financeiro

O entrevistado citou frentes paralelas. “Hoje 100% do cigarro eletrônico no Brasil está nas mãos do crime”, declarou, lembrando que a proibição da Anvisa impede produção, importação e venda legal, empurrando a demanda para redes ilícitas. Por outro lado, mencionou a presença de facções em bebidas, no mercado de bets, “50% é ilegal” e o uso oportunista de partes do sistema financeiro para lavar dinheiro com operações não triviais, o que exige compliance robusto de bancos e fintechs. “É tentador, mas perigoso quando alguém chega do nada com bilhões. É preciso separar o joio do trigo”, disse.

Quanto custa essa economia paralela do crime organizado?

O Instituto Livre Mercado estimou que o custo anual do crime organizado equivale ao PIB de um estado relevante, com números que o próprio Marinho considera conservadores. Ele citou montantes bilionários movimentados por facções em poucos anos e lembrou que empresas gastam somas expressivas em segurança, algo em torno de 1,7% do PIB, segundo a discussão no programa. Além disso, o “custo do medo” reduz circulação de pessoas, encarece logística e desestimula investimentos, com efeitos diretos sobre a produtividade e o comércio local.

Para Marinho, o maior gargalo é de inteligência e integração. “A principal brecha é que eu não falo com você”, disse, ao criticar a falta de comunicação entre guardas municipais, polícias militares e civis, Receita, Banco Central, COAF, Polícia Federal e outros órgãos de controle. Enquanto isso, facções se aproveitam de assimetrias e de decisões monocráticas que afetam a previsibilidade do ambiente econômico. Ele também apontou o “prende e solta” como fator de estímulo ao cálculo econômico do crime.

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Pacote Brasil Mais Seguro e outras propostas em debate

Na Câmara, Marinho destacou o PL 2646/2025 (autoria do deputado Júlio Lopes; relatoria do deputado Paulo Bilynskyj). No Senado, citou o PL 125 (relator senador Efraim Filho). Os eixos propostos incluem:

  • Perdimento de bens com rito mais ágil e transparente.
  • Rastreamento e bloqueio de fluxos financeiros das facções, com integração entre Receita, Banco Central, COAF, PF e polícias estaduais.
  • Restrições ao pagamento de honorários com dinheiro de origem criminosa.
  • Ajuste de penas e endurecimento contra o “prende e solta”, desincentivando o cálculo econômico do crime.
  • Estatuto da Vítima para recentrar a proteção no cidadão afetado e nos agentes que atuam na segurança.

O entrevistado citou ainda medidas já adotadas por alguns estados, como fim das “saidinhas” e endurecimento contra lideranças de facções dentro do sistema prisional, como exemplos de políticas que alteram incentivos e reduzem a capacidade de comando fora das cadeias.

PCC e Comando Vermelho: modelos distintos, ameaça comum

Marinho diferenciou as duas principais organizações. O PCC, com base em São Paulo, opera como “empresa”, tratando drogas como mais um produto em um portfólio amplo, com presença na logística, varejo e lavagem. O Comando Vermelho, com base no Rio, seria menos estruturado e ainda centrado no tráfico. “O PCC entendeu que dá mais dinheiro trabalhar com o crime organizado em cadeias legais do que vender droga diretamente”, disse, ressaltando que o efeito colateral continua sendo violência na ponta.

O entrevistado relacionou segurança pública, estabilidade regulatória e retomada do mercado de capitais. “Faz dois anos que o Brasil não tem um IPO”, afirmou, atribuindo parte da paralisia à combinação de incerteza jurídica, decisões monocráticas e elevação de custos operacionais trazidos pela criminalidade. Nesse sentido, reforçou que o Congresso tem condições de criar instrumentos para reduzir arbitragens e ampliar a segurança jurídica necessária a investimento e planejamento de longo prazo.

O diagnóstico traçado no programa é claro. O Estado acumulou falhas que permitiram a infiltração das facções em cadeias críticas, distorcendo preços e corroendo a concorrência. A resposta proposta combina sufocamento financeiro, integração entre órgãos, atualização legal e centralidade na vítima, com execução contínua e sem concessões. “Para termos um mercado pujante, precisamos de um país mais seguro”, concluiu Marinho. A meta é simples e ambiciosa: punir os culpados, proteger quem produz e reconstruir um ambiente previsível para investir, inovar e crescer.

Manifesto BM&C News: combater o crime, proteger o mercado

A gravidade do problema levou a BM&C News, emissora referência na cobertura de economia, política e mercado financeiro, a lançar um manifesto institucional com posicionamento claro sobre o tema. Sob o slogan “Combater o crime, proteger o mercado”, o documento defende que é possível enfrentar o crime organizado sem criminalizar o mercado financeiro. O objetivo é jogar luz sobre os impactos econômicos do crime no Brasil e reforçar a importância de preservar um ambiente de negócios sólido, com segurança jurídica, previsibilidade e liberdade para investir e empreender.

O manifesto também enfatiza que a criminalidade mina a confiança, encarece custos e reduz a capacidade do setor produtivo de gerar empregos e riqueza. Nesse sentido, a BM&C News se compromete a ampliar o debate público, dar voz a especialistas e empresários, e apoiar iniciativas que reforcem a segurança como pilar para o desenvolvimento econômico sustentável.

Além dos impactos financeiros, a persistência da economia paralela ameaça a própria liberdade econômica no país. “Sem segurança, não há liberdade para empreender e investir”, reforça o manifesto da BM&C News.

O enfrentamento desse cenário, segundo especialistas, passa pela aprovação de medidas como o Pacote Brasil Mais Seguro, que inclui projetos de lei voltados ao endurecimento de penas, repressão financeira e combate ao mercado ilegal de jogos e apostas. A lógica é simples: reduzir o poder econômico do crime organizado é condição para recuperar competitividade, atrair capital e preservar empregos.

Ao comentar o manifesto editorial lançado pela BM&C, Marinho foi direto: “Criminosos devem ser presos, o mercado segue”. Para ele, mensagens que separam maus atores do tecido produtivo ajudam a qualificar o debate e a mobilizar apoio a reformas que atacam o financiamento das facções. Por outro lado, o uso político de operações pode comprometer investigações, como já ocorreu em episódios recentes, o que exige prudência na comunicação e foco técnico nas medidas.

Assista a entrevista na íntegra:

Com jornadas exaustivas no escuro absoluto e zero contato com o sol, moradores de vilas profundas cavernas em um estranho trabalho

Com 16 colunas de concreto de 90 toneladas cada, a igreja futurista brasileira que esconde um túnel escuro na entrada para causar impacto psicológico

O supervulcão submerso do tamanho da Grã-Bretanha que dorme no fundo do Oceano Pacífico

Com um buraco de 525 metros de profundidade, a imensa cratera dessa mina de diamantes cria um vórtice de ar capaz de sugar helicópteros para o fundo

A ponte de concreto de 1898 que Harry Potter tornou famosa ainda recebe trens reais toda semana na Escócia

Fim da guerra do Irã? Mercado aguarda pronunciamento de Trump sobre futuro do conflito

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