O ajuste fiscal no Brasil atualmente é uma questão central para o governo, especialmente sob a liderança do presidente Lula e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Durante uma recente entrevista, o economista Bruno Musa, sócio da Acqua Vero, fez uma análise detalhada sobre as estratégias que o governo deve adotar para equilibrar as contas públicas em meio a um cenário inflacionário.
Musa destacou que, em vez de realizar cortes reais de gastos, o governo deve apostar na inflação como a principal ferramenta de ajuste fiscal. “A inflação, se controlada, pode ser uma aliada na recuperação das contas públicas, permitindo um aumento da receita sem a necessidade de cortes drásticos que poderiam afetar a base eleitoral”, afirmou o economista. Essa abordagem sugere que o governo está buscando formas de otimizar a arrecadação fiscal por meio do aumento dos preços, o que pode ser uma estratégia arriscada, mas necessária diante das pressões econômicas atuais.
Fiscal, inflação e medidas populistas
O dilema entre acelerar políticas populistas ou controlar a inflação também foi um ponto crucial da análise de Musa. O economista alertou que a escolha do caminho a seguir impactará diretamente a popularidade do governo e, consequentemente, a estabilidade econômica do país. “O governo precisa encontrar um equilíbrio entre o crescimento econômico e o controle da inflação. A pressão por medidas populistas pode gerar um efeito adverso se não forem acompanhadas de um planejamento fiscal sólido”, disse Musa.
Um dos efeitos colaterais dessa estratégia pode ser visto nas taxas de juros. Musa ressaltou que, se a inflação não for controlada, o Banco Central poderá ser forçado a elevar os juros para conter a alta dos preços. “Taxas de juros mais altas podem desestimular o consumo e os investimentos, criando um ciclo vicioso que prejudica a recuperação econômica”, advertiu. Assim, o governo deve ser cauteloso em suas decisões, pois elas terão repercussões significativas sobre o ambiente de negócios e as expectativas dos investidores.
Em termos de perspectivas macroeconômicas, o economista acredita que o Brasil enfrenta um cenário desafiador. “O crescimento deve ser moderado, e a recuperação real das contas públicas dependerá da capacidade do governo de implementar reformas estruturais que aumentem a eficiência do gasto público”, disse Musa. Ele enfatizou a necessidade de um compromisso com a responsabilidade fiscal, o que pode ajudar a restaurar a confiança dos investidores e estabilizar a economia.
Para investidores, a análise de Musa sugere que a diversificação será crucial nos próximos meses. “Os investidores devem estar atentos às mudanças na política fiscal e monetária, buscando oportunidades em setores que podem se beneficiar de um ambiente inflacionário controlado”, concluiu o economista. O foco deve ser em ativos que oferecem proteção contra a inflação e que estejam alinhados com as expectativas de crescimento moderado.

