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Tarifas e China dividem setor de tecnologia: big techs deixam de se mover como bloco

Redação BM&C News Por Redação BM&C News
02/05/2025
Em Análises

Durante entrevista ao programa BM&C News, o especialista em análise macro Fábio Fares destacou que os resultados mais recentes das gigantes de tecnologia — conhecidas como as “sete magníficas” — deixaram evidente que o setor já não pode mais ser interpretado como um bloco homogêneo. Segundo ele, os balanços financeiros e os desdobramentos no mercado de ações revelam comportamentos distintos, especialmente entre as empresas com forte exposição internacional e aquelas mais ancoradas na economia dos Estados Unidos.

“Tecnologia não é mais um bloco só. Agora você tem um componente geopolítico te afetando diretamente”, afirmou Fares.

Resultados dividem o setor de tecnologia

Entre os destaques positivos da temporada, Fares apontou a Microsoft, cuja divisão de nuvem mostrou forte desempenho, impulsionando as ações em mais de 8%. Outro exemplo foi a Meta, que teve reação positiva do mercado ao anunciar o aumento de investimentos (CAPEX), sinalizando confiança no crescimento mesmo diante de incertezas.

“Quando a Meta aumentou o CAPEX, o mercado gostou. Isso passa uma mensagem de resiliência e visão de longo prazo”, disse Fares.

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Por outro lado, Apple e Amazon sofreram penalizações por conta da dependência do mercado chinês e ajustes em projeções futuras. A Apple viu suas ações recuarem após relatar queda nas vendas na China e dificuldades logísticas para realocar parte da produção para outros países, um movimento que ainda avança lentamente. Já a Amazon revisou guidance para a banda inferior e apresentou desempenho mais fraco na nuvem, o que gerou reações negativas dos investidores.

Exposição à China torna-se risco para empresas de tecnologia

Para Fares, o componente geopolítico se tornou decisivo na performance das empresas de tecnologia. “A Apple está sendo punida agora cedo. Ela sofre impacto direto por não conseguir sair da China com a velocidade necessária. E isso se estende a outras empresas com forte presença por lá”, avaliou. A leitura do mercado, segundo ele, passa agora por uma análise mais estratégica do posicionamento global de cada companhia, sobretudo frente às tensões comerciais entre EUA e China e à volatilidade de tarifas.

Coca-Cola surpreende: desempenho sólido mesmo com incertezas

Além das big techs, Fares trouxe o exemplo da Coca-Cola, que se destacou na temporada com um resultado “bastante sólido”, mesmo fora do radar das tecnológicas. “Cresceu sete vezes mais que seus pares, reforçou guidance e ainda assim manteve o pé no chão”, relatou. Um dos pontos positivos, segundo ele, é o modelo de produção da companhia, com unidades operando localmente em diversos países, o que minimiza impactos de tarifas internacionais.

A leitura para o investidor: seletividade e foco em fundamentos

A conclusão do especialista é que o investidor deve abandonar a visão simplista de que o setor de tecnologia se movimenta de forma sincronizada. Fatores como exposição geopolítica, capacidade de adaptação logística, inteligência estratégica e foco em inovação devem guiar as análises daqui para frente. “É preciso entender que as companhias estão em momentos diferentes, com desafios distintos”, alertou Fares.

Assista na íntegra:

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