Offshore: De Shakira a mafioso italiano; confira lista da Pandora Papers

A investigação contou com mais de 11,9 milhões de arquivos confidenciais e uma equipe de 615 jornalistas em 117 países
Pandora Papers

Desde do último domingo (2), jornais do mundo todo estão repercutindo os Pandora Papers, uma série de reportagens lideradas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) que cita mais de 330 políticos, funcionários públicos de alto escalão, artistas e empresários de 91 países que têm ou tinham empresas offshores

Para quem não conhece, offshore é um recurso para empresas fora do país de origem da pessoa, nos paraísos fiscais, territórios onde há menos tributação. Essa é uma das formas mais comuns de se aplicar dinheiro legalmente no exterior. 

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A investigação contou com mais de 11,9 milhões de arquivos confidenciais e uma equipe de 615 jornalistas de 149 veículos de notícias em 117 países. O material foi analisado há cerca de um ano. 

Os documentos secretos mostram negociações offshore ligadas a líderes mundiais, como o rei da Jordânia, dos presidentes da Ucrânia, Quênia e Equador, do primeiro-ministro da República Tcheca e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. 

No Brasil, foram citados na reportagem o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Além deles, outras personalidades de todo o mundo chamaram a atenção. Confira:

Shakira 

Em 2018, a cantora Shakira foi investigada na Espanha por evasão fiscal ao usar empresas offshore para gerenciar seus negócios. Já em julho deste ano, a justiça espanhola decidiu que havia provas suficientes de que a cantora não pagou US$ 16,4 milhões em impostos sobre a renda recebida de 2012 a 2014. A agência de relações públicas da artista disse na época que ela pagou os impostos assim que soube. 

Segundo os Pandora Papers, o nome de Shakira aparece em formulários de inscrição para três empresas offshore em 2019, quando a investigação fiscal estava em andamento. Representantes da cantora disseram ao La Sexta, parceiro do ICIJ, que as empresas foram constituídas antes de Shakira ser residente na Espanha, e que os formulários faziam parte do processo de transferência das sociedades para escritório de advocacia a ser dissolvido. Eles disseram ainda que as empresas não têm renda nem atividades.

Ao El País, os representantes da cantora afirmaram que Shakira usou empresas offshore porque a maior parte de sua receita vem de fora da Espanha e que as autoridades fiscais espanholas conhecem todas as suas empresas.

Di María 

O jogador argentino Ángel Di María tem outras fontes de renda fora do campo por meio de uma offshore no Panamá. 

Em junho de 2017, Di María se declarou culpado de duas acusações de fraude fiscal na Espanha. O jogador pagou US$ 2,2 milhões aos cofres públicos em impostos e por não reportar receitas de direitos de imagem de 2012 e 2013 que distribuiu por meio de sua empresa panamenha, a Sunpex Corporation Inc. Durante esse período,o argentino jogava pelo Real Madrid. 

Um representante de Di María confirmou ao ICIJ que o jogador criou a Sunpex e vendeu seus direitos de imagem para a empresa em 2009. Mas de acordo com documentos, a empresa continuou a receber receitas dos direitos de imagem do jogador mesmo depois dele ter pago a multa. 

Em agosto de 2017, Di María assinou um acordo transferindo sua receita de endosso da Adidas para a Sunpex. 

Os documentos indicam ainda que em 2014, a Sunpex recebeu US$ 150 mil da agência de marketing responsável pela propaganda de um isotônico japonês. A empresa recebeu pela participação de Di María, então jogador do Manchester United, por postagens nas redes sociais e por camisas autografadas. 

O representante do jogador do PSG disse ao ICIJ que Di María montou a empresa por recomendação de um “profissional de impostos” e disse que muitos outros jogadores estrangeiros na Espanha foram aconselhados a abrir empresas offshore. 

Raffaele Amato 

O mafioso italiano Raffaele Amato, conhecido como “Lell, o Gordo”, também aparece nos documentos secretos de ativos offshore com uma empresa de fachada registrada no Reino Unido que Amato usou para comprar terras na Espanha. 

A história do mafioso italiano inspirou o filme “Gomorra”. Amato ainda está cumprindo uma sentença de 20 anos de prisão. O advogado de Amato não respondeu ao ICIJ. 

Elton John 

O cantor Elton John é dono de mais de 12 empresas registradas nas Ilhas Virgens Britânicas. Algumas delas remetem a alguns trabalhos do cantor. 

Elton John criou algumas empresas pares, sendo uma voltada para administrar o dinheiro gerado no Reino Unido e outra voltada para receita em outros países. Todas as empresas com receita no Reino Unido têm David Furnish, marido do cantor, como único diretor. 

Representantes de John disseram ao ICIJ que as offshores pagam impostos corporativos no Reino Unido e que ele não as usou para reduzir ou evitar o pagamento de quaisquer impostos devidos.

Pep Guardiola 

Segundo documentos, Pep Guardiola, treinador do Manchester City, abriu um empresa de fachada chamada Repox Investment, em Andorra, para depositar os salários recebidos entre 2003 e 2005, quando vestia a camisa do Al Ahli. 

O levantamento mostra ainda que a empresa de Guardiola chegou a receber cerca de 1,7 milhões de euros (R$ 10,7 milhões).

Os assessores do treinador disseram que a conta em Andorra foi criada por conta da “impossibilidade de obter um certificado de residência do Qatar, onde não teria que pagar impostos”. Eles afirmaram ainda que não depositaram o dinheiro na Espanha por temerem que, sem um certificado do Qatar, a Agência Tributária pudesse colocar objeções para que ele se beneficiasse do regime fiscal de expatriado quando a realidade é que naqueles dois anos jogou e residiu no emirado.

Guardiola fechou a conta em 2012 e aproveitou uma anistia fiscal aprovada pelo então primeiro-ministro Mariano Rajoy, durante uma crise econômica na Espanha. Assim, o treinador conseguiu regularizar 500 mil euros correspondentes aos juros sobre o dinheiro acumulado na conta entre 2007 e 2010. 

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