Entre as muitas construções da Roma Antiga, o Coliseu, também conhecido como Anfiteatro Flaviano, costuma ser lembrado como um dos maiores símbolos do poder romano. Erguido no século I d.C. em uma área anteriormente ocupada pelo palácio de Nero, o edifício foi planejado para abrigar dezenas de milhares de pessoas em espetáculos públicos, funcionando como ponto de encontro de diferentes camadas sociais e reforçando a imagem do imperador como provedor de entretenimento e ordem.
O que torna o Coliseu uma obra de engenharia singular?
A estrutura oval, com cerca de 50 metros de altura, foi montada com travertino, tijolos e concreto romano, combinando técnicas de construção avançadas para a época. Arcos sobrepostos, galerias internas e um sistema complexo de corredores permitiam separar grupos sociais e garantir o fluxo rápido de entrada e saída do público.
No interior, andares de arquibancadas e áreas reservadas às elites conviviam com setores populares mais afastados da arena. Abaixo do piso de madeira coberto de areia ficava o hypogeu, rede subterrânea com túneis, jaulas e mecanismos de elevação que criavam aparições súbitas de animais, cenários e combatentes, ampliando o impacto visual dos eventos.

Como o Coliseu surgiu e foi usado ao longo dos séculos?
O surgimento do Coliseu está ligado à dinastia dos Flávios, especialmente a Vespasiano, que autorizou a obra por volta de 72 d.C. A construção devolveu ao uso público uma área antes privatizada por Nero, financiada em parte por riquezas de campanhas militares, reforçando a relação entre conquista e obras monumentais em Roma.
Durante séculos, o anfiteatro recebeu lutas de gladiadores, execuções públicas e caçadas encenadas. Com o declínio do Império Romano do Ocidente, o prédio perdeu sua função de espetáculo e foi reutilizado como moradia, cemitério, espaço de oficinas artesanais e fortificação medieval, além de servir como “pedreira urbana” para outras construções.
Por que grande parte da estrutura original do Coliseu desapareceu?
A imagem atual do Coliseu, com grandes lacunas nas arcadas, resulta da combinação de terremotos e intervenções humanas. Os abalos sísmicos fragilizaram sobretudo o lado sul, enquanto a remoção sistemática de travertino, mármore e grampos metálicos reduziu o peso e a estabilidade, provocando colapsos em cadeia.
Ao longo dos séculos, autoridades civis e religiosas autorizaram o reaproveitamento de materiais em palácios renascentistas e igrejas, incorporando pedras que antes compunham as arcadas do anfiteatro. Estudos arqueológicos modernos ajudam a reconstituir a massa original do edifício e a entender a extensão das perdas estruturais.
Com mais de 1,7 milhão de visualizações, o canal Estranha História explica por que grande parte do Coliseu desapareceu ao longo dos séculos:
Como o Coliseu deixou de ser “pedreira” e virou patrimônio protegido?
A virada ocorreu quando a sociedade passou a enxergar o Coliseu como bem histórico e simbólico, não apenas como ruína útil. A partir da Era Moderna, foram interrompidos saques, reforçadas paredes ameaçadas e instalados contrafortes, enquanto associações religiosas ligaram o local à memória de perseguições cristãs.
Entre os séculos XIX e XX, com o avanço da arqueologia e a formação do Estado italiano, o foco se deslocou para o valor histórico e nacional. A seguir, alguns eixos de ação consolidaram essa mudança de status:
- remoção de ocupações posteriores e escavações do interior do anfiteatro;
- pesquisas sobre fases romanas, medievais e modernas da construção;
- classificação como patrimônio mundial e criação de políticas de conservação;
- controle de visitantes e monitoramento de danos por poluição e turismo.
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O que observar ao visitar o Coliseu hoje?
Quem visita o Coliseu encontra um resumo material de quase dois milênios de história urbana. A fachada externa preservada revela andares de arcos e colunas, enquanto o interior mostra parte das arquibancadas remanescentes e o hypogeu exposto, antes oculto sob o piso de madeira e areia.
Placas explicativas e áreas de escavação permitem identificar fases construtivas, intervenções de restauro e cicatrizes de desabamentos. Observar a posição do Coliseu em relação ao Fórum Romano e às vias antigas ajuda a entender sua integração ao centro político e religioso de Roma e seus desafios atuais de preservação em meio ao turismo de massa.

