Em Chongqing, uma das maiores cidades da China, um trem urbano cruza literalmente o meio de um edifício residencial de 19 andares, criando uma cena que costuma gerar espanto em quem vê o monotrilho surgir e desaparecer na fachada do prédio. A imagem parece saída de um filme, mas faz parte da rotina local há anos e se tornou um símbolo da engenharia de transporte da região, integrando o sistema de metrô e incluindo uma estação completa posicionada aproximadamente na altura equivalente à “cozinha” dos apartamentos, segundo descrevem moradores e reportagens internacionais.
Como funciona a estação Liziba em Chongqing?
A chamada “linha que atravessa a sala de estar” faz parte de um monotrilho elevado, que circula sobre vigas e pilares acima das ruas e entra por uma abertura central no edifício. Em vez de contornar o prédio, os trilhos encontram uma estação construída entre dois blocos residenciais, conectada por escadas, elevadores e áreas comuns.
Do ponto de vista urbanístico, o prédio funciona como um hub misto, combinando moradia e mobilidade em um único volume, aproximando o transporte do fluxo diário de moradores. Para os passageiros, a experiência é similar à de qualquer outra estação de metrô, com parada rápida e embarque em plataformas internas.

Como é o barulho do trem dentro do prédio?
Um dos pontos mais comentados sobre o metrô que passa dentro do prédio é a questão do ruído e da vibração no dia a dia dos moradores. Relatos locais indicam que o nível de barulho é menor do que se imagina, graças a soluções específicas de engenharia e isolamento acústico.
Antes de chegar aos apartamentos, o som do monotrilho é filtrado por trilhos emborrachados, estruturas independentes e camadas de materiais isolantes. Segundo a operadora, o ruído interno é comparável ao de uma máquina de lavar ou de uma conversa moderada, respeitando normas de conforto urbano.
Confira todas as camadas de isolamento acústico do prédio:
- Monotrilho sobre pneus: gera menos ruído do que trens metálicos tradicionais.
- Estrutura independente: parte ferroviária desacoplada do corpo principal do edifício.
- Vedação reforçada: janelas, portas e paredes com múltiplas camadas isolantes.
- Velocidade controlada: redução ao entrar e sair da estação, diminuindo vibrações.
Por que a geografia de Chongqing influencia esse projeto?
Chongqing é conhecida pelo relevo montanhoso, com morros íngremes, vales estreitos e áreas cortadas por rios, o que limita o espaço plano para construção. Nesse cenário, o monotrilho surgiu como alternativa para vencer desníveis sem depender apenas de túneis extensos ou grandes viadutos.
Ao atravessar o edifício, o sistema evita desapropriações em massa e reduz demolições em uma área consolidada, aproximando a estação dos moradores. Especialistas destacam que essa integração entre transporte e construção vertical exemplifica o uso intensivo do solo em megacidades.
Com mais de 13,3 mil visualizações, o canal Embaixada da China no Brasil mostra como é a passagem do trem dentro do edifício:
Quais benefícios urbanos a estação Liziba oferece?
A estação Liziba não é só um marco visual, mas também uma solução prática de mobilidade em área densa. Ela conecta bairros em meio a morros e arranha-céus, incorporando a estação ao cotidiano residencial e comercial do entorno.
Além de reduzir tempos de deslocamento, o projeto estimula o uso do transporte público e o adensamento orientado ao transporte (TOD). Assim, contribui para menor dependência de carros, melhor aproveitamento do terreno e maior acessibilidade local.
Esse modelo de metrô dentro de prédio pode ser replicado?
A imagem do trem passando “pela cozinha” levantou a dúvida sobre a viabilidade de repetir a solução em outras metrópoles. Especialistas em planejamento urbano apontam que isso depende de relevo complexo, escassez de espaço, legislação favorável, financiamento e aceitação social.
Em 2026, o caso de Chongqing segue como referência em debates sobre mobilidade em áreas densas, servindo de exemplo em estudos acadêmicos e reportagens internacionais. A estação Liziba mostra como soluções pouco usuais podem se tornar parte estável e funcional da paisagem urbana.

