Entre as paisagens andinas da província de Salta, no noroeste da Argentina, um trem turístico ganhou fama por levar passageiros a altitudes em que o ar rarefeito se mistura a vales profundos e montanhas nevadas. Conhecido como Trem para as Nuvens, ou Tren a las Nubes, o percurso ferroviário chega a cerca de 4.200 metros acima do nível do mar e se tornou um dos passeios ferroviários de maior destaque na América do Sul, combinando história, engenharia e geografia extrema em um único percurso.
O que é o Trem para as Nuvens e por que ele é famoso na América do Sul?
O Trem para as Nuvens é um passeio ferroviário turístico que utiliza parte de uma linha construída originalmente para ligar a Argentina ao Chile, atravessando a cordilheira dos Andes. Hoje, o foco é a experiência de altitude, a observação de paisagens e a compreensão de como a engenharia ferroviária tornou possível circular em terrenos tão íngremes.
O nome se popularizou porque, em muitos trechos, o trem parece desaparecer entre nuvens que se formam próximas aos cumes. O trajeto parte da região de Salta em direção aos Andes, revelando a Puna árida, quebradas coloridas e comunidades que preservam tradições andinas ao longo do caminho.

Como funciona o trajeto e a engenharia em zigue-zague do Trem para as Nuvens?
Em termos de estrutura, o trajeto combina trechos em linha reta com curvas fechadas e mudanças de inclinação cuidadosamente calculadas. O percurso é planejado para que o trem ganhe altura de forma gradual, reduzindo esforços sobre os trilhos, sobre a locomotiva e aumentando a segurança dos passageiros.
Um dos aspectos mais comentados é o uso de traçados em zigue-zague para vencer desníveis acentuados. Nesses trechos, a locomotiva avança em movimentos alternados, muitas vezes com manobras de baixa velocidade, o que faz o trem “escalar” a montanha degrau por degrau. Veja como funciona o trajeto do Trem para as Nuvens:
- Distribuição do peso nos trilhos, evitando esforços concentrados.
- Redução do risco de escorregamento em trechos íngremes.
- Melhor adaptação ao relevo, com menos escavações e túneis.
Como o corpo reage à altitude extrema de 4.200 metros durante o passeio?
Ao atingir a parte mais alta do percurso, o Trem para as Nuvens chega a cerca de 4.200 metros de altitude, onde a menor pressão atmosférica reduz a quantidade de oxigênio disponível. É comum que alguns passageiros percebam cansaço ao caminhar, respiração acelerada e leve dor de cabeça, sintomas típicos de exposição rápida a grandes altitudes.
Operadoras e equipes locais recomendam cuidados simples para minimizar o impacto da altitude, como evitar esforços físicos intensos, beber água com frequência e consumir alimentos leves. Alguns vagões oferecem sistemas de oxigênio de apoio em situações pontuais, embora a maior parte das pessoas se adapte gradualmente durante o trajeto.
Com mais de 61 mil visualizações, o canal Vou na Janela mostra como é a experiência desse passeio:
Por que o viaduto La Polvorilla é o ponto mais icônico do Trem para as Nuvens?
O ponto mais emblemático do passeio é o viaduto La Polvorilla, uma estrutura metálica em curva que se estende sobre um vale profundo na região da Puna. Com dezenas de metros de altura, cria a impressão de que o trem está suspenso no ar, avançando lentamente sobre uma linha que se confunde com o horizonte.
Projetado para suportar o peso do trem e grandes variações de temperatura, o viaduto acompanha a curva do terreno e permite uma passagem em velocidade controlada. Do alto, é possível enxergar ravinas profundas, encostas secas e, em dias claros, picos nevados ao longe, cenário que atrai câmeras e olhares atentos.
Vale a pena incluir o Trem para as Nuvens em um roteiro por Salta?
Ao reunir altitude extrema, traçado em zigue-zague e o viaduto La Polvorilla, o Trem para as Nuvens se consolidou como símbolo da engenharia ferroviária nos Andes argentinos. A experiência ajuda a entender melhor a geografia da região de Salta, marcada por desertos de altura, quebradas coloridas e montanhas nevadas.
Para quem visita o noroeste argentino, o passeio costuma ser combinado com tours por vilarejos andinos e mirantes da cordilheira. Assim, o trem deixa de ser apenas um deslocamento e se torna parte central de um roteiro que une cultura local, natureza extrema e história ferroviária.

