O trecho da rodovia Pan-Americana no Deserto do Atacama, no Chile, é uma jornada de isolamento e beleza árida. A Rota 5 cruza centenas de quilômetros de paisagens lunares, onde a chuva é um evento raríssimo e o asfalto corta o horizonte infinito.
O que esperar ao dirigir pelo Deserto do Atacama?

A principal característica é a monotonia hipnótica da paisagem. São retas intermináveis cercadas por areia, rochas e montanhas distantes. A falta de referências visuais e o calor podem causar fadiga, exigindo que o motorista faça paradas regulares para descansar e hidratar-se.
A infraestrutura é boa, com asfalto de qualidade, mas os postos de gasolina podem estar distantes uns dos outros. É uma rota essencial para a logística do Chile, conectando as cidades mineiras do norte ao resto do país.
Pontos de interesse na rota:
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Mano del Desierto: A famosa escultura de uma mão gigante saindo da areia.
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Antofagasta: A maior cidade da região, com o monumento La Portada.
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San Pedro de Atacama: O principal hub turístico (acesso via desvio).
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Observatórios Astronômicos: Visíveis devido ao céu limpo.
Quais os cuidados com o carro e a segurança?
A amplitude térmica é grande: dias quentes e noites geladas. É vital garantir que o sistema de arrefecimento do carro e os pneus estejam em perfeito estado. Levar água extra e combustível reserva é uma precaução básica em áreas remotas.
Para vivenciar a liberdade de cruzar fronteiras pela estrada mais longa do mundo, selecionamos a expedição do canal Garagem Overlander, especialista em jornadas de aventura e vida sobre rodas. No vídeo a seguir, o viajante detalha visualmente o trecho chileno da Rodovia Pan-americana, revelando a beleza única do contraste entre o Oceano Pacífico e o deserto, em uma jornada considerada uma das mais bonitas da América do Sul:
A região é segura em termos de criminalidade rodoviária comparada a outros locais, mas a natureza é implacável. O site oficial de turismo do Chile oferece roteiros e dicas para quem vai explorar o norte do país.
A “Mão do Deserto” e a arte na solidão
A 75 km ao sul de Antofagasta, surge da areia uma escultura de 11 metros de altura em forma de mão. A “Mano del Desierto”, obra do escultor chileno Mario Irarrázabal, foi inaugurada em 1992 e simboliza a vulnerabilidade humana frente à natureza implacável. É parada obrigatória para fotos, servindo como um marco visual em meio ao nada.
Esta escultura é o ponto mais famoso da rota, confira os detalhes para não passar direto:
A economia mineira na beira da pista
A rodovia é a artéria vital da mineração chilena. Ao longo do trajeto, é comum ver “Cidades Fantasmas” (antigas salitreiras como Humberstone) e gigantescos caminhões de mineração transportando cobre. A infraestrutura da estrada é excelente, fruto do investimento privado e da importância econômica do cobre para o PIB chileno. Consulte o estado das estradas no site da Dirección de Vialidad – MOP Chile.
Como esse trecho se compara a outras rotas desérticas?
A Pan-Americana no Atacama é única pela aridez absoluta. Para entender a diferença, a tabela a seguir compara este trecho com a Rota 66 nos EUA.
| Característica | Pan-Americana (Atacama) | Rota 66 (Deserto de Mojave) |
| Aridez | Extrema (Deserto mais seco do mundo). | Alta (Deserto semiárido). |
| Isolamento | Alto (grandes distâncias sem nada). | Médio (cidades e postos frequentes). |
| Atrações | Paisagens naturais e mineração. | Cultura pop e história americana. |

