O mistério dos chamados cosmonautas perdidos continua a despertar curiosidade mais de meio século após o auge da corrida espacial. A expressão se refere a relatos de supostos astronautas soviéticos que teriam morrido em missões secretas, nunca reconhecidas oficialmente, em um contexto em que informação, propaganda e sigilo estratégico moldavam a narrativa pública da exploração espacial.
Quem foram os supostos cosmonautas perdidos na história soviética?
Entre os nomes mais citados quando se fala em cosmonautas desaparecidos está o de Grigory Nelyubov, integrante de um dos primeiros grupos de seleção de tripulantes espaciais soviéticos. Fotografias de época mostram o cosmonauta apagado de imagens oficiais, o que estimulou a ideia de que teria morrido em um voo secreto e depois removido da história.
Documentos posteriores indicaram outra versão: Nelyubov teria sido afastado por indisciplina e morrido em um acidente ferroviário, mas a edição de fotos reforçou a suspeita de ocultação. Outras histórias citam um suposto grupo de quatro cosmonautas que teria falecido antes do voo de Yuri Gagarin, embora investigações indiquem que participavam de testes atmosféricos e de paraquedismo de alta altitude, não de missões orbitais.

Cosmonautas perdidos são mito da Guerra Fria ou realidade escondida?
Um dos episódios mais lembrados é o dos irmãos Giovanni e Achille Judica-Cordiglia, radioamadores italianos que afirmaram ter captado diversos sinais vindos do espaço entre 1957 e 1963. Eles diziam ter registrado desde transmissões do Sputnik até um suposto pedido de socorro em russo, atribuído a uma “cosmonauta perdida”, gravações que circularam amplamente em jornais e programas de rádio.
Análises técnicas posteriores levantaram dúvidas sobre essas gravações, pois os sinais não foram confirmados por outras estações e não seguiam protocolos conhecidos de voos espaciais. Especialistas também apontaram sotaque incomum no idioma e inconsistências físicas ligadas à reentrada, fatores que reduziram a credibilidade das supostas provas, embora não tenham encerrado o debate popular.
Como a corrida espacial alimentou o mito dos cosmonautas desaparecidos?
A corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética foi marcada por forte sigilo, com divulgação seletiva de sucessos e ocultação de falhas. O lado soviético anunciava apenas seus grandes êxitos, enquanto tragédias como as da Soyuz 1 e Soyuz 11 revelaram, anos depois, o custo humano do programa espacial.
Esse ambiente criou terreno fértil para relatos sem comprovação, interpretando testes não tripulados ou manequins como possíveis voos secretos. Nesse contexto, surgiram narrativas sobre pilotos lançados antes de Gagarin, corpos em órbita e operações encobertas, frequentemente amplificadas por tabloides e pela desinformação típica da Guerra Fria.
Com mais de 2,4 milhões de visualizações, o canal Ciência Todo Dia apresenta quem foram os supostos cosmonautas perdidos na história soviética:
Quais evidências existem sobre possíveis cosmonautas apagados dos registros?
Ao longo das últimas décadas, pesquisadores passaram a cruzar arquivos oficiais, depoimentos e dados técnicos, especialmente após a abertura parcial de documentos soviéticos. Até 2026, não há registros confirmados de cosmonautas perdidos no espaço em missões orbitais anteriores às já conhecidas, embora haja reconhecimento de mortes em treinamento e testes de alta altitude.
A seguir, estão as principais evidências analisadas por pesquisadores e historiadores para avaliar a veracidade dessas alegações:
- Listas de lançamentos e números de série de foguetes batem com os voos tripulados oficialmente divulgados.
- Telemetrias disponíveis não indicam missões tripuladas secretas bem-sucedidas ou fracassadas em órbita.
- Mortes de pilotos e engenheiros foram ligadas a acidentes em solo, em voo atmosférico ou em treinamentos extremos.
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Por que o mito dos cosmonautas esquecidos persiste até hoje?
Mesmo sem comprovação sólida, o enigma dos cosmonautas esquecidos continua a ser tema de livros, documentários e debates em fóruns especializados. A combinação de sigilo histórico, gravações contestadas, censura de informação e dramas pessoais como o de Nelyubov mantém viva a suspeita de que parte da história possa ter sido apagada.
Além disso, experimentos com áudios falsos, obras de ficção apresentadas como documentos e lacunas ainda existentes em arquivos alimentam a imaginação coletiva. Assim, os cosmonautas perdidos permanecem sobretudo como exemplo de como a falta de transparência e o clima de rivalidade da Guerra Fria podem gerar mitos duradouros na exploração espacial.

