A alta no preço da prata, impulsionada pela Inteligência Artificial, contrasta com a dura realidade dos mineiros do Cerro Rico, na Bolívia. A montanha que já foi a mais rica do mundo hoje cobra a vida de quem busca seus últimos minérios.
Por que o preço da prata está subindo tanto?
A demanda por prata explodiu, atingindo recordes históricos, e o principal motor dessa alta é a Inteligência Artificial (IA). A prata é um condutor essencial em chips de alto desempenho, placas de circuito e centros de dados que alimentam a nova era tecnológica, criando uma demanda sem precedentes.

Essa corrida tecnológica pressiona um suprimento já limitado. A prata, historicamente valiosa, agora se tornou um componente industrial crítico, e a escassez de novas minas faz com que o mercado dependa de locais de extração antigos e perigosos, como o Cerro Rico.
Qual é o custo humano por trás dessa valorização?
Enquanto a prata alimenta a tecnologia de ponta, sua extração no Cerro Rico é feita com métodos ancestrais e mortais. A montanha, esburacada por séculos de mineração, é instável e propensa a desabamentos. Os mineiros trabalham em túneis apertados, empoeirados e sem segurança.
A maioria não vive além dos 40 anos, vítimas da silicose, uma doença pulmonar incurável causada pela poeira. Antes de cada jornada, eles fazem oferendas a “El Tio”, uma figura diabólica que, segundo a crença, protege e pune os trabalhadores nas profundezas da terra.
Riscos diários dos mineiros:
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Desabamentos constantes na estrutura instável.
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Exposição à poeira que causa silicose.
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Manuseio de explosivos sem equipamentos adequados.
Para onde vai a riqueza extraída da montanha?
Apesar do trabalho árduo, a riqueza não fica em Potosí. As minas são controladas por cooperativas, mas os trabalhadores diaristas ganham cerca de 10 dólares por dia, sem benefícios. O minério bruto é vendido a intermediários e exportado para países como a Coreia do Sul.
Para aprofundar a tua percepção sobre a origem dos metais que movem a tecnologia moderna, selecionamos novamente o conteúdo do canal Business Insider. No vídeo a seguir, os especialistas detalham visualmente o trabalho perigoso nas minas de Potosí, na Bolívia, onde mineiros extraem prata e outros minerais essenciais para chips de Inteligência Artificial usando técnicas ancestrais e enfrentando riscos constantes:
Lá, empresas de tecnologia extraem metais valiosos como o índio (usado em telas touch), que é tratado como uma impureza no zinco boliviano, e os mineiros não recebem nada por ele. Essa dinâmica, onde a riqueza do subsolo não beneficia a comunidade local, é um desafio global, sendo um dos focos de regulação de órgãos como a Agência Nacional de Mineração (ANM) no Brasil.
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Como a mineração ancestral se compara à demanda moderna?
O governo boliviano tenta evitar o colapso total do cume do Cerro Rico injetando cimento em sua estrutura. Esse esforço para salvar um Patrimônio Mundial da UNESCO em perigo espelha os desafios enfrentados por instituições como o IPHAN no Brasil na preservação de locais históricos que sofrem com a exploração.
O contraste entre os dois mundos é brutal. De um lado, a demanda de uma indústria limpa e futurista; do outro, a realidade de uma extração que parou no tempo. A tabela abaixo resume essa desconexão.
| Característica | Demanda (IA e Tecnologia) | Extração (Cerro Rico) |
| Tecnologia Usada | Robótica, chips de alta performance. | Pás, picaretas e dinamite. |
| Condições de Trabalho | Escritórios climatizados, trabalho remoto. | Túneis escuros, poeira mortal e risco de colapso. |
| Resultado Final | Avanço da Inteligência Artificial. | Doenças pulmonares e expectativa de vida de 40 anos. |

