A megaferrovia em construção no Nordeste caminha para a reta final e promete mudar a cara do transporte de cargas pesadas no Brasil. O projeto da Transnordestina já engoliu bilhões de reais e agora corta dezenas de municípios para ligar o interior aos portos principais.
Qual o tamanho da megaferrovia em construção no Nordeste?
A Transnordestina Logística S.A. (TLSA) cuida dessa obra gigante que atravessa 53 municípios. A linha principal soma exatos 1.206 km de extensão e passa por terras do Piauí, Ceará e Pernambuco.
O investimento total bate a marca de R$ 14,9 bilhões, sendo que R$ 11,3 bilhões já foram parar nos canteiros de obra até fevereiro de 2026. A ideia central é focar no transporte eficiente de grãos e minérios rumo aos portos de Pecém e Suape.

Como anda o cronograma das obras atualmente?
O projeto patinou bastante desde 2006 com várias paralisações chatas, mas ganhou um fôlego novo com o Novo PAC em 2023. As equipes aceleraram o passo e chegaram a 80% de conclusão na fase um agora no começo de 2026.
Os números atuais da linha férrea mostram o seguinte cenário de avanço nas pistas:
- 727 km totalmente finalizados na rota principal da obra.
- 326 km seguem em execução acelerada com as máquinas pesadas.
- Primeira viagem-teste realizada com sucesso em dezembro de 2025.
Quais os impactos para a economia da região?
Tirar os caminhões da estrada e usar os trilhos reduz bastante os custos logísticos do agronegócio na região do Matopiba. A linha facilita o escoamento de fertilizantes, cimento e combustíveis, aumentando a competitividade do produtor local.
A criação de vagas de trabalho também chama a atenção de quem vive no trecho. O ramal do Ceará gerou 8 mil empregos diretos e cerca de 23 mil indiretos, movimentando o comércio e a rotina de milhares de famílias nordestinas.

Quais os principais entraves que a obra enfrentou?
Quem acompanha essa história de perto sabe que os atrasos históricos tiraram o sono de muita gente. O governo chegou a excluir alguns trechos, como a perna de Pernambuco, o que gerou confusão e exigiu novos ajustes de orçamento e de prazos na prancheta.
Além da grana apertada, existem divergências sobre os números finais da conta, que oscilam entre R$ 14,9 bilhões e R$ 15 bilhões. Falta também uma liberação mais transparente de dados consolidados sobre os impactos ambientais que os trilhos causam nas cidades ao redor.
No vídeo a seguir, o canal EngeZone, com mais de 14 mil inscritos, fala um pouco do processo de construção:
O que esperar das próximas fases da ferrovia?
O calendário oficial exige foco total das construtoras para ligar os pontos finais da rota comercial:
| Fase do projeto | Previsão de entrega | Foco principal |
|---|---|---|
| Fase 1 (Principal) | Até 2027 | Operação total ligando o interior ao porto de Pecém |
| Fase 2 (Ramal PE) | Até 2029 | Integração completa com o porto de Suape |
A ANTT estuda interligar tudo isso com outros corredores logísticos gigantes, como a FIOL, para transportar até 41 milhões de toneladas até o ano de 2060. É um projeto ambicioso que vai exigir muito suor, mas tem potencial de sobra para alavancar a grana do Nordeste.

