Durante décadas, o Caminito del Rey, na região da Andaluzia (Espanha), carregou a fama assustadora de ser a trilha mais perigosa do planeta. Hoje, após uma reforma milionária e uma reengenharia completa, esse percurso vertiginoso transformou-se numa das atrações turísticas mais espetaculares da Europa, permitindo que qualquer pessoa caminhe com segurança total num desfiladeiro a 100 metros do chão.
Por que ganhou a fama de “caminho da morte”?
Construído originalmente entre 1901 e 1905 para facilitar a passagem de operários de uma hidroelétrica, o caminho antigo era feito de betão (concreto) e vigas de ferro. Com o passar do tempo e a falta de manutenção, a estrutura colapsou.
Nos anos 90 e início de 2000, o local tornou-se um íman para alpinistas radicais e imprudentes. Grandes secções do piso tinham desaparecido, restando apenas as vigas enferrujadas sobre o abismo. Após vários acidentes fatais, o governo espanhol fechou o acesso, criando a “lenda negra” que fascina viajantes até hoje.

Como é a nova estrutura suspensa?
Reaberto em 2015, o novo Caminito del Rey é uma obra-prima da engenharia moderna. Foi construída uma passarela de madeira nova logo acima da antiga (que ainda pode ser vista em baixo, servindo como um lembrete arrepiante do passado).
O percurso atual serpenteia as paredes verticais do Desfiladeiro dos Gaitanes, escavado pelo rio Guadalhorce. Embora a segurança seja absoluta — com corrimãos altos, redes de proteção e uso obrigatório de capacete — a sensação de aventura permanece intacta, pois você caminha literalmente pendurado na rocha.
Quais são os pontos altos da travessia?
O trajeto linear tem cerca de 8 km (sendo 3 km nas passarelas suspensas) e oferece visuais que desafiam quem tem vertigens, mas recompensam com paisagens únicas.
Os destaques que fazem o coração acelerar incluem:
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A Ponte Pênsil (Puente Colgante): Uma ponte metálica no final do percurso que balança levemente com o vento, suspensa a mais de 100 metros de altura.
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A Varanda de Vidro: Um pequeno miradouro com chão transparente para quem tem coragem de olhar diretamente para o rio lá em baixo.
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O Voo dos Grifos: A área é habitada por grandes colónias de abutres e aves de rapina, que voam frequentemente abaixo da linha da passarela.
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As Fósseis: Em algumas paredes da rocha calcária, é possível ver fósseis marinhos incrustados, provando que aquela altura já foi fundo de mar.
No vídeo a seguir, o canal jeszcze_kawałek, com mais de 1,5 mil inscritos, mostra um pouco do local:
É preciso ser um atleta para fazer o passeio?
Não. O título de “perigoso” refere-se apenas ao passado. Hoje, o caminho é plano na sua maioria e não exige habilidades de escalada. É uma caminhada cénica acessível a qualquer pessoa com mobilidade normal e um nível básico de condicionamento físico.
No entanto, a logística exige planeamento. Como é um percurso de sentido único (Norte para Sul), é necessário apanhar um autocarro (ônibus) no final para voltar ao parque de estacionamento inicial. Além disso, a entrada é controlada e os bilhetes esgotam-se com meses de antecedência.

