Construir um aeroporto em pleno mar, sobre ilhas artificiais, parecia uma ideia distante da realidade algumas décadas atrás, mas no Japão essa proposta saiu do papel com o Aeroporto Internacional de Kansai, na baía de Osaka, concebido para atender à demanda crescente de voos, liberar áreas urbanas congestionadas e operar com segurança em uma região sujeita a terremotos e tsunamis.
O que é o Aeroporto Internacional de Kansai e por que foi construído no mar?
O Aeroporto Internacional de Kansai é um grande hub aéreo japonês construído sobre uma ilha artificial na baía de Osaka, a vários quilômetros da costa. A decisão de instalá-lo no mar surgiu da falta de espaço em terra firme e da necessidade de reduzir o impacto sonoro sobre bairros residenciais próximos.
Em vez de ampliar aeroportos existentes, optou-se por criar um novo terreno “fabricado” em águas rasas, porém sujeitas a movimentos tectônicos e variações do nível do mar. Essa solução permitiu ampliar a infraestrutura aeroportuária sem avançar sobre o solo urbano já ocupado.

Como foi construída a ilha artificial do Aeroporto de Kansai?
Para formar a ilha artificial, foram realizados extensos aterros com milhões de metros cúbicos de rochas e solo trazidos de pedreiras e áreas próximas. Esse material foi depositado sobre o fundo da baía, composto em grande parte por sedimentos moles e compressíveis.
A criação da ilha exigiu uma combinação de engenharia civil e obras marítimas, com técnicas específicas para estabilizar o terreno. As principais etapas desse processo de “engenharia sobre o mar” incluem:
- Preparação do leito marinho: mapeamento do fundo da baía, estudo das camadas de sedimentos e identificação de áreas com maior risco de recalque.
- Aterro em camadas sucessivas: deposição gradual de materiais para evitar sobrecarga abrupta sobre o solo mole e reduzir deformações diferenciais.
- Sistemas de drenagem vertical: instalação de drenos para acelerar a expulsão da água dos sedimentos e aumentar a resistência do terreno.
- Uso de estacas profundas: fundações apoiadas em camadas mais rígidas abaixo do fundo marinho, garantindo suporte às estruturas pesadas.
Como o aeroporto em meio ao mar resiste a terremotos e condições extremas?
Instalar um aeroporto em uma região sísmica obrigou os engenheiros a tratar a resistência a terremotos como elemento central do projeto. A segurança estrutural depende tanto da ilha artificial quanto de soluções aplicadas ao terminal, às pontes de acesso, às pistas e aos sistemas de apoio.
As estruturas foram dimensionadas para suportar abalos de grande magnitude, com juntas de dilatação, elementos flexíveis e materiais capazes de deformação controlada. Além disso, o complexo possui quebra-mares, barreiras contra ondas, planos de contingência, rotas de evacuação e sistemas redundantes de energia e comunicação.
Com mais de 156 mil visualizações, o vídeo do canal Construction Time conta tudo sobre esse desafio de engenharia:
Quais são os principais desafios estruturais na baía de Osaka?
Os maiores desafios estruturais começaram na fase de concepção, quando se verificou que o solo marinho da baía de Osaka é altamente compressível. A subsidência, ou seja, o afundamento gradual da ilha artificial, tornou-se um ponto crítico, exigindo monitoramento contínuo e obras de manutenção ao longo dos anos.
Outro desafio importante é a corrosão causada pela água salgada, que demanda proteção especial a elementos metálicos, além de inspeções frequentes. A logística de transporte de materiais por barcaças e equipamentos de grande porte também elevou o custo e a complexidade da construção.
Que lições o Aeroporto de Kansai oferece para futuros projetos em ilhas artificiais?
A experiência de Kansai mostra que é possível manter em operação um grande aeroporto construído em meio ao mar por meio de planejamento de longo prazo, monitoramento constante e reforços periódicos. A ilha foi projetada já considerando deformações e ajustes ao longo da vida útil da infraestrutura.
Essa combinação de engenharia japonesa, soluções adaptativas e gestão de riscos tornou o projeto uma referência internacional. Outros empreendimentos em ilhas artificiais passaram a considerar estratégias semelhantes para lidar com subsidência, ambiente marinho agressivo e cenários sísmicos complexos.

