O deputado Nikolas Ferreira convocou, organizou e foi um dos principais oradores da manifestação realizada ontem na Avenida Paulista, em São Paulo (imagem). Ele vem se notabilizando pela grande capacidade de movimentar massas, a exemplo de uma caminhada de Minas Gerais a Brasília ocorrida no início do ano – mas, ontem, a massa concentrada não foi das maiores. Apenas 20,4 mil pessoas, segundo a Universidade de São Paulo, foram ao ato. Vamos deixar de lado, por ora, se os números da USP estão certos os não. O público foi incontestavelmente menor do que em vários comícios bolsonaristas realizados no mesmo lugar. Porém, esteve à frente de outras duas manifestações, sendo que uma delas foi organizada por Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia.
Mesmo assim, não se deve subestimar a notoriedade de Nikolas. Ele tem hoje cerca de 20 milhões de seguidores nas redes sociais e foi o deputado federal mais votado do país nas últimas eleições, com 1,49 milhão de sufrágios. Para se ter uma ideia da popularidade de Nikolas e de sua força eleitoral, ele amealhou 13,3% dos votos válidos em seu estado. Em Belo Horizonte, o apoio ao seu nome é ainda maior: 22,4% de toda a votação válida no município. Isso quer dizer que, na capital mineira, uma em cada cinco pessoas que compareceram às urnas apertaram o número 2222 na urna eletrônica. Não é à toa, portanto, que o senador Flávio Bolsonaro queria que ele fosse candidato ao governo mineiro para puxar votos para o PL.
Nikolas nasceu em 1996 e por um ano não pode ser considerado um membro da geração Z, na qual tem vários adeptos (e também entre os hiperconectados da Alpha). É nessa faixa etária que ele amealha grande apoio, uma vez que 52% desses jovens se dizem conservadores (Pesquisa AtlasIntel de 2025).
A combinação entre insegurança econômica, reação à cultura woke e ansiedade diante de mudanças rápidas na sociedade ajuda a explicar por que boa parte da Geração Z se inclina ao conservadorismo. Crescendo em um contexto de crise e incerteza sobre o futuro, muitos jovens passam a valorizar estabilidade e estruturas percebidas como sólidas.
Ao mesmo tempo, convivem com um ambiente cultural em que pautas progressistas ganharam grande visibilidade. A consequência disso é que vários deles buscam referências mais tradicionais como uma resposta aos valores vistos entre os baby boomers. A velocidade das transformações tecnológicas e sociais também interfere na ideologia de parte desta juventude: a inquietação pode estimular um pensamento mais conservador, que promete ordem, clareza e limites definidos.
A combinação destas características leva muitos membros da juventude a apoiar a trajetória de Nikolas. Mas há aqueles que o detestam. É um número pequeno, é verdade, mas barulhento. Ontem, uma reportagem publicada pela Folha de S. Paulo mostrou a existência de grupos e coletivos anticapitalistas, entre os quais um chamado “Faísca Revolucionária”, que ocupa um espaço na “Casa Marx”, instalada na Vila Madalena. O título do artigo: “Desiludida, geração z anticapitalista externa críticas a Lula, MBL e Nikolas”. A crítica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao seu partido é a de que ele promoveu uma “conciliação de classes” e isso teria reforçado a extrema-direita (uma visão tão distorcida da realidade que não merece nem comentário).
Os jovens anticapitalistas dizem que “as redes de Nikolas são usadas para referenciar a figura dele”. Bem, alguém precisa avisá-los de que figuras máximas do comunismo, como Josef Stálin e Fidel Castro, levaram ao extremo o culto à personalidade. Diante disso, por que eles implicam com a autopromoção?
A existência dessas correntes evidencia que a disputa pelo imaginário político da juventude está apenas começando. Mas os anticapitalistas, pelo jeito, estão em flagrante minoria e devem buscar protagonismo apenas pelo estardalhaço. Enquanto isso, o deputado Nikolas desponta como uma liderança que tem tudo para pensar em planos mais ambiciosos no futuro. Ele vem recusando os apelos a se candidatar ao governo de Minas e faz bem. Tudo tem sua hora. Ele ainda precisa amadurecer, deixar uma parte do histrionismo para trás e ganhar consistência para pensar em voar mais alto.
*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho, é jornalista, articulista e publisher do portal Money Report. Foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide
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