Um pequeno habitante marinho, conhecido como tâmara do mar, tornou-se uma ameaça geológica capaz de derrubar falésias inteiras. O Lithophaga lithophaga é um molusco bivalve que utiliza secreções ácidas para perfurar rochas calcárias, criando um rastro de destruição costeira que obrigou a União Europeia a intervir.
O mergulhador e a rocha oca

O mistério começou quando mergulhadores e biólogos notaram que recifes rochosos aparentemente sólidos estavam ocos por dentro, como um queijo suíço. A integridade estrutural das costas da Itália e da Croácia estava comprometida, levando ao colapso de pedaços inteiros de falésias.
A causa não era erosão natural, mas a ação biológica massiva deste molusco. Ele se aloja dentro da pedra para se proteger de predadores, e quanto mais cresce, mais fundo ele precisa escavar, enfraquecendo a base de estruturas milenares.
O mecanismo do ácido biológico
Diferente de outros animais que perfuram mecanicamente, o Lithophaga é um químico subaquático. Ele possui glândulas que secretam uma substância ácida capaz de dissolver o carbonato de cálcio das rochas, transformando a pedra dura em uma pasta que ele remove facilmente.
Esse processo de “chemical boring” é lento, mas devastador em colônias grandes. Uma única rocha pode abrigar centenas desses moluscos, transformando um pilar de sustentação geológica em uma estrutura frágil e quebradiça em poucos anos.
Deserto submarino e erosão
A extração ilegal desse molusco para consumo humano agrava o problema. Para capturá-lo, pescadores usam martelos pneumáticos para quebrar a rocha inteira, destruindo não apenas a toca do animal, mas todo o ecossistema de corais e algas que vivia na superfície.
O resultado é a desertificação do fundo do mar. Onde antes havia vida vibrante, sobra apenas cascalho estéril, acelerando a erosão da linha costeira e colocando em risco cidades litorâneas turísticas que dependem dessas barreiras naturais.
Para observar o comportamento de espécies marinhas em seu habitat natural, selecionamos o conteúdo do canal acquariofilo net. No vídeo a seguir, capturado com uma GoPro, você verá a Lithophaga lithophaga, conhecida como tâmara-do-mar, um molusco bivalve famoso por sua habilidade de perfurar rochas calcárias:
Proibição em quatro países
Diante do desastre, Itália, Croácia, Espanha e Grécia baniram totalmente a extração, venda e consumo da tâmara do mar. A legislação é dura, tratando a pesca dessa iguaria não como infração administrativa, mas como crime ambiental grave.
A União Europeia, através da Diretiva Habitats, classificou a espécie como estritamente protegida. Restaurantes que servem o prato clandestinamente enfrentam multas pesadas e processos criminais, numa tentativa de salvar o que resta dos recifes rochosos.
O preço da iguaria proibida
Apesar da lei, o mercado negro persiste devido ao alto valor gastronômico do molusco, considerado um dos frutos do mar mais saborosos do Mediterrâneo. Um prato pode custar centenas de euros em jantares secretos, financiando a destruição contínua.
A conscientização é a nova arma. Campanhas educativas mostram que comer uma única porção de Lithophaga equivale a destruir um metro quadrado de recife que levou séculos para se formar, um preço alto demais para o planeta.
Entenda como um animal tão pequeno causa um dano tão grande:
🧪 O Mecanismo da Destruição
- 🐚 A Secreção: O molusco libera um ácido especial que reage com o cálcio da pedra.
- 🕳️ A Toca: A rocha derrete, criando um túnel onde ele vive e cresce por décadas.
- 🔨 O Humano: Para comer o molusco (que está dentro da pedra), o pescador quebra o recife inteiro.
Leia a diretiva de proteção na Comissão Europeia.